Na semana que antecedeu o Grande Prêmio de Edmonton do mundial 2009 da Fórmula Indy, Tony Kanaan esteve no Brasil e através de seu assessor Anderson Marsili, conseguimos realizar uma entrevista com o piloto baiano. Tony Kanaan fala desde sua chegada a Fórmula CART em 1998, a primeira vitória na categoria, seus acidentes na Indy, a transferência para a IndyCar em 2003, seu título e a atuação situação da categoria. Tony ainda lembra de seu amigo Greg Moore, que faleceu em um acidente nas 500 milhas de Fontana em 1999.Confira também um vídeo que o Blog da Indy fez para homenagear essas onze temporadas de sucesso do piloto baiano na Indy.
Também temos Tony Kanaan participando do programa “Custe o Que Custar” (CQC) participando do quadro CQTeste.
Blog da Indy: Tony qual a sensação de chegar a CART em 1998, ser o novato do ano e o melhor piloto brasileiro daquela temporada, desbancando nomes como Gil, Christian, Mauricio e André?
Tony Kanaan: Foi um grande conquista, ainda mais, porque vinha de um título da Indy Lights e o pessoal já ficava de olho para saber o que eu ia fazer quando subisse. Então, isso me deu uma confiança para seguir em frente. Foi bem importante para me dar segurança.
BDI: A estrutura da Tasman em 1999 com a chegada da Mcdonalds era muito maior que em anos anteriores? Você tinha um carro para brigar pelo título, ou apenas o pacote técnico era igual às Ganassi e Green que dominaram aquela temporada?
TK: Realmente a estrutura era superior a que a Tasman tinha antes, pois tínhamos um patrocinador de peso, até mudei as cores do capacete e cantei a musiquinha "Dois hambúrgueres..." (risos). Mas acho que não tínhamos ainda um desempenho para brigar por título com a Ganassi e Green. Acho que eles estavam um degrau acima.
BDI:Como foi aquela vitória em Michigan pela Tasman Forsythe? Seu combustível também estava no limite? O que você e o Papis falaram, já que vocês eram bem amigos na época.
TK:Foi demais! Uma sensação que buscava desde 98, quando estreei na categoria. Eu estava confiante que iria até o final, pois estava dosando muito o combustível já pensando nas voltas finais. Quando de repente vi o Max muito lento e fiz uma manobra para não bater nele e controlar o carro. Com isso, o Montoya veio babando atrás de mim até cruzarmos a linha de chegada. Depois, vi a narração e o Téo José, que é um grande amigo, já tinha narrado "Não perde mais Max Papis...Perde Sim!". O automobilismo tem dessas coisas, que definem mesmo quando acaba. Lógico que o Max ficou frustradíssimo com o final, mas faz parte. Eu comemorei muito...
BDI:No mesmo ano de 1999, mais em outra prova de 500 milhas, agora na Califórnia. Foi o dia mais triste para você no automobilismo perdendo um grande amigo Greg Moore? A equipe te avisou no rádio da morte dele, ou você ficou sabendo somente após a corrida?
TK:Esse dia e o acidente do Zanardi foram dois momentos que nunca mais quero passar na vida. Eu, o Greg e o Dario Franchitti éramos amigos inseparáveis. Estávamos juntos todo momento. Eu vi que o acidente tinha sido muito feio e fiquei preocupado, mas soube quando tudo foi confirmado. O destino quis que eu ganhasse o meu primeiro título na Fórmula Indy, em 2004, justamente em Fontana. O Dario era meu companheiro na AGR, junto com o Bryan Herta e o Dan Wheldon, dois grandes amigos que tenho até hoje. E me lembro de nós quatro fazendo zerinhos na pista para comemorar o meu título, o primeiro da AGR, e homenagear o Greg. Foi de arrepiar...
BDI:Em Detroit você teve um sério acidente correndo pela Mo Nunn. Em 2000 foi o seu pior ano nestas suas onze temporadas da Indy ou teve alguma mais difícil?
TK:Detroit foi feio, fiquei um tempo para me recuperar, assim como 2000. Também tive um forte em 2003, no Japão, quando quebrei o braço e tenho pinos até hoje, quase não corri em Indianápolis. E por falar nela, a prova deste ano de Indy também foi um acidente horrível, pois bati final da reta quando quebrou alguma coisa na suspensão... Não vamos lembrar dessas coisas não... (risos).
BDI:Quando pintou o convite de Michael Andretti para pilotar na AGR?
TK:Tinha feito uma temporada ruim na ChampCar, com o meu carro quebrando um série de vezes, e o Michael tinha pelo menos 13 ou 14 caras que terminaram o campeonato de 2002 na minha frete na classificação para escolher. Mas ele disse que já havia me enfrentado na pista e sabia do meu potencial. Quando me dedico ao máximo para a minha equipe, penso nesse momento. O Michael apostou em mim e acho que deu certo... (risos).
BDI:Por várias vezes seu nome sempre esteve ligado a Chip Ganassi. Quando realmente você esteve mais próximo de guiar para a equipe que vem dominando a temporada 2009?
TK:Tive uma proposta e considerei porque era muito boa. Mas preferi ficar em "casa" na AGR. Eles disseram que sou "membro-fundador" da equipe, pois corri com eles desde 2003, quando estrearam. Então, não poderia sair. Mas um dia conto com detalhes isso, ok!
BDI: Sua adaptação na Indy Racing League foi muito rápida. Você esperava chegar e vencer um campeonato apenas estando dois anos na categoria e ainda da forma que foi aniquilando todos os adversários?
TK: Foi rápida porque embora a minha formação e a minha carreira toda tinha sido em misto, eu me adaptei facilmente aos ovais. É lógico que cada vez que você anda mais, a experiência vale muito nos ovais. Então, fiz questão de ir aprimorando e conversando muito com o Michael e o pessoal da equipe. A minha primeira corrida na IRL, em Miami, eu conquistei a pole-position. Acho que aquele dia o Michael pensou "Apostei certo" rsrs. Depois, na segunda corrida, em Phoenix, venci. Briguei pelo título até a última etapa. No ano seguinte, em 2004, foi um ano mágico. Hoje, eu vejo como fizemos história ao terminar todas as corridas, sendo apenas uma fora dos 5 primeiros, e ter completado todas as 3.305 voltas do campeonato. Quero repetir isso...
BDI: Quando você viu realmente que as portas da Fórmula 1 se fecharam? Logo que você chegou nos Estados Unidos, ou ainda correndo na Indy você matinha o sonho?
TK: Nunca vi as portas fechando porque a verdade é que eu queria ser piloto de corrida e viver disso, então, vocês que sabem da minha história, sabem também que nunca escolhi onde eu ia correr. Se tinha a chance de correr nos EUA, era lá que segui com a seletiva da Marlboro para a Indy Lights, que foi o início de tudo. Mas sempre tive um sonho de andar num F1, como qualquer piloto, e pude realizar isso quando a Honda me presenteou com um teste em 2005, para comemorar o meu título de 2004.
BDI: Você e Hélio Castroneves estão na categoria desde 1998. Ainda parecem meninos, porém a idade já esta chegando. Sabemos que a Indy sempre teve como marca ter pilotos super experientes, tivemos Emerson Fittipaldi correndo até seus quarenta e nove anos por exemplo. Até quando Tony Kanaan pretende ficar na Indy?
TK: 49? Caramba! Nem sei como vou estar lá (risos)... Eu tenho um contrato até o final de 2013 com a AGR, quando eu terei 38 anos. Só quando chegar nesse momento que vou decidir o que farei, mas, antes, sei que tem muita gasolina para queimar.
BDI: Sobre a categoria e estes pacotes técnicos, você acredita que deveriam trocar estes chassis que desde 2003 equipam os carros? E os motores turbos, você é a favor deles ou dos aspirados?
TK: Eu gosto desse pacote que temos hoje e foi uma seqüência de evoluções desde 2003. O carro é muito legal hoje, mas, como em qualquer categoria, há uma mudança em algum momento e a Fórmula Indy está pensando nisso. No entanto, a categoria deu um show na questão de se prevenir contra a crise e acho que os planos estão bem encaminhados.
BDI: E a corrida no Brasil? Você realmente acredita que ela possa ser realizada? Realmente os dirigentes da categoria têm interesse em trazê-la para cá?
TK: Sei que há uma grande chance e um interesse dos dois lados, mas precisamos falar quando estiver 100% de certeza. Eu torço muito e poder correr em casa, no seu país, é algo emocionante. Então, pensamento positivo...
BDI: Qual a sua perspectiva com relação ao futuro da Fórmula Indy com a saída de Tony George do comando? A categoria em termos de pilotos está mais internacional do que nunca. Vocês que estão dentro das pistas é que fazem o espetáculo acontecer, vocês tem interesse em correr em vários países ou apenas ficar nos Estados Unidos?
TK: A saída do Tony George foi programada e não afeta o ruma da categoria. Os passos são sempre bem estudados e acredito que os dirigentes da Indy vão continuar o belo trabalho que ele fez até então. Sobre sair dos EUA, eu acho que é uma possibilidade que eles estão tentando aos poucos. Já temos a prova do Japão e as duas no Canadá, e agora, se confirmar mesmo a do Brasil, será bem legal. Acho que a Indy é uma categoria reconhecida no mundo inteiro e tem portas abertas.
BDI: Qual foi o melhor companheiro de equipe que você teve até hoje na Indy? Lembrando que você já foi companheiro de campeões como Zanardi, Franchitti, Wheldon e o próprio Michael, seu patrão.
TK: Não seria justo escolher um, pois cada um deles contribuíram um pouco para o meu aprendizado no automobilismo. Só os nomes que você citou, nem precisam de comentários, e viraram quatro amigos fora da pista também. Sempre me dei muito bem com meus companheiros e espero continuar assim.
BDI: Muito obrigado Tony Kanaan e toda sorte do mundo nesta temporada!
Valeuuuu pela força de vocês ai! Abraços a todos do Blog da Indy
Vídeo dos principais momentos de Tony Kanaan na Fórmula Indy (CART/IndyCar).
6 comentários:
Parabéns a equipe do blog por trazer a palavra do nosso último campeão de categoria considerada top. Continuem assim e quem sabem não conseguem palavras do Gil de Ferran ou do Hélio Castroneves.
O Blog da Indy se supera cada dia mais. Parabéns pela entrevista com o Tony, que além de andar muito ainda é uma grande pessoa.
Vocês do blog estão de Parabens tanto pela entrevista como pelo video.
Parabéns pela entrevista !!!
Espetacular !! mandaram muito bem !
por favor se alguem souber como faço para saber o nome da musica de abertura da CART no sbt e nos finais das corridas tbm tocava essa musica
eu gostaria de saber o nome dela
obrigado
por favor repassem no meu email
jordan_martinz@hotmail.com
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