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Mais valem dez anos a mil do que mil anos a dez

Olá amigos do Blog da Indy. Confesso que não é um sentimento agradável dizer que esta será a última vez que escreverei esta saudação para vocês. Mas penso que todos os fãs do Blog já estão cientes de que infelizmente, este espaço ficou “inviável” no dia a dia de todos aqueles que colaboram com a existência e o nível deste Blog.

Não podemos dizer que não alcançamos nosso objetivo em quase dois anos de existência. Em determinado momento, pensamos que já tínhamos ido até longe demais! Afinal, graças a este espaço, conhecemos muitos amigos, nos aproximamos mais da categoria que tanto admiramos e até tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente alguns dos nossos ídolos.

Mas infelizmente não é fácil trabalhar de maneira independente no jornalismo brasileiro. Ainda mais no jornalismo automobilístico, certamente uma das áreas mais implacáveis e “sanguinárias” do jornalismo esportivo. Não quero deixar uma impressão de “desistência” de nossa parte, mas sim um sentimento de missão cumprida. Apesar de não ser mais cabível em nossas vidas, a manutenção deste espaço, conseguimos provar para nós mesmos de que ainda é possível trabalhar de maneira ética, independente e verdadeira nessa área. Quanto ao sucesso, ai depende. Acredito que nos quesitos de atender as expectativas de nossas fãs, levar informações importantes e detalhadas (furtos jornalísticos NUNCA foram prioridade nossa, ainda mais em uma época onde furos quase sempre são sinônimos de sensacionalismo e apelação), fatos históricos e detalhes dos bastidores, acredito que nessas partes a nossa missão foi cumprida.

Quando ao lado financeiro, na questão de tornar o Blog “sustentável” (detesto esta palavra, ultimamente vem sendo usada por instituições tiranas vestidas em `pele de cordeiro´), infelizmente isto nos provou que o jornalismo independente tem NULO apoio financeiro no país.

Mas se vocês querem saber, dinheiro algum paga o sentimento que é poder expressar a sua opinião e apontar fatos constantemente ocultados pela grande mídia, em um espaço como este. Quantas vezes este blog não serviu para canalizarmos a nossa sede em falar a verdade sobre fatos forçados goela abaixo do público brasileiro sem nenhum critério ético?

Enfim, avalio o curto período de vida do blog como extremamente positivo. Foram quase dois anos, mas garanto para vocês, a nossa dedicação foi total.

Deixo aquele ditado: “Mais valem dez anos a mil do que mil anos a dez”. No caso do Blog, estou certo de que foram poucos meses a mil e é a única maneira que conseguimos ver este blog na ativa, “a mil”.

Fabio Henrique despertou sua paixão pelo automobilismo, ainda pequeno, com influência do pai que sempre foi amante de carros e já esteve envolvido com mecânica. Ganhou o seu primeiro kart aos 11 anos e aos 14 já treinava de kart dois tempos em Interlagos. No seu segundo ano de kart, conquistava o vice-campeonato da Copa Noturna do Kartódromo Aldeia da Serra, superando o campeão paulista daquele mesmo ano. Fabio escolheu cursar a faculdade de Jornalismo, como maneira de ficar mais próximo do automobilismo. Amante do automobilismo antigo, principalmente dos anos 70 e 80. Ele ainda pretende um dia, participar de um campeonato automobilístico de destaque, seja no próprio kart ou até em categorias de protótipos. Fábio tem a coluna "Por dentro do capacete" no Blog da Indy. contato: fabiok15jps@hotmail.com

Campeões da Fórmula Indy ou “bastardos inglórios”?

Será que a frustração está mesmo sempre do lado da Indy?

Olá amigos do Blog da Indy. Hoje conversaremos sobre uma questão que particularmente tenho presenciado de maneira constante na mídia automobilística mundial. Uma questão claramente influenciada pelo “Fórmula 1 centrismo” que passou a “assombrar” a imprensa especializada de todas as partes do mundo, principalmente após o tão exaustivo citado “racha” da CART no pós 1995.


A ocasião do tri-campeonato do escocês Dario Franchitti, trouxe grandes amostras de como infelizmente os campeões da Fórmula Indy não recebem o merecido reconhecimento. Não quero dizer que o “escocês voador” não é reconhecido como o grande piloto que é, obviamente toda a imprensa mundial sabe que Dario é sem dúvida um dos pilotos mais talentosos surgidos no fim dos anos 90 até os dias atuais. Mas após a conquista recente do piloto da Ganassi, tenho lido muitas entrevistas feitas ao escocês, onde sempre é realizada aquela desconfortável perguntinha que há certo tempo é direcionada para qualquer nome que alcance grande destaque no automobilismo de fórmula norte-americano: “Você tem frustração por não ter chegado à Fórmula 1?”

Danny Sullivan e sua Penske Chevrolet em 1988, ano do seu título

Frustração por não ter feito carreira na Fórmula 1. Por que existe esse consenso de que grandes nomes da Fórmula Indy são apenas “frustrados da Europa”? Penso que existem fatos que possam vir a explicar esse tipo de pensamento. Talvez isto tenha surgido ainda na década de 80, quando alguns nomes que não conseguiram uma carreira campeã ou vitoriosa na Fórmula 1, foram correr na CART onde simplesmente conseguiram alcançar status de mitos.

Bobby Rahal em seu Wolf na F1 em 1978. Passagem sem pontos pela F1 não manchou em nada a carreita do tri-campeão da Indy

Como exemplos posso citar Bobby Rahal, que correu duas provas na Fórmula 1 pela equipe Wolf, no final da temporada de 1978. Após a sua breve experiência na Fórmula 1, Bobby voltou para os EUA, onde correu na Can-Am e depois foi para CART. O resto já sabemos. Tri-campeão da Fórmula Indy (sendo o seu último título conquistado com a própria equipe) e uma Indy 500 no bolso. Daí eu pergunto para você, caro leitor, é correta a ótica de observar um mito da CART como Bobby Rahal, como um “frustrado da F1?” Como isto é uma coluna, onde vale a opinião pessoal de quem escreve, eu particularmente acho que não, não é correta esta ótica. Quem se lembra de Bobby Rahal como “ex-piloto de F1”? Creio que apenas aquele site F1 Rejects.

Danny Sullivan também é outro exemplo de piloto que alcançou um patamar de excelência inigualável na Fórmula Indy, mas que antes disso teve uma carreira na Fórmula 1. Reparem caros leitores, não utilizei nenhum adjetivo antes da palavra carreira. Pode soar como parcialidade minha, por estar falando de um grande campeão de uma categoria que gosto e por ser particularmente um piloto que aprecio. Mas garanto para vocês que não estou sendo parcial. Acho que sempre devemos tomar cuidado antes de classificar a carreira dos pilotos como “ruim, fracassada, decepcionante” e etc. Particularmente, não acho que a carreira e Sullivan na F1 foi ruim. Foi melhor do que o início de muito campeão. O problema é que o seu companheiro na Tyrrell em 1983 era um tal de Michele Alboreto, um italiano que já havia vencido com a Tyrrell em 1982 e ganharia a prova em Detroit no ano em que foi companheiro de Sullivan. Não acho que 2 pontos marcados e um segundo lugar na corrida dos campeões (extra-oficial), onde Sullivan só não ganhou de ninguém menos do que Keke Rosberg, por causa de um estouro de motor, sejam resultados ruins para um novato naquela época tão competitiva.

Também não consigo ver Sullivan, campeão da CART em 1988 com uma Penske Chevrolet e vencedor da Indy 500 de 1985 com o seu famoso “spin to win”, como um “frustado” da Fórmula 1.

O leitor do Blog da Indy com toda certeza sabe que muitos outros grandes pilotos da Indy, alguns com passagens pela F1, também se encaixam nesta lista de pilotos espetaculares que infelizmente acabam sendo “vítimas” deste hábito desagradável da imprensa mundial em teimar colocar as carreiras na F1 de determinados campeões da Indy, em um “pedestal” que definitivamente não merecia ter tanto destaque.

Alessandro Zanardi, na minha opinião pessoal, o piloto mais espetacular que vi correr no automobilismo de fórmula norte-americano, é uma constante vítima das associações do seu passado “ingrato” na Fórmula 1, com a sua carreira espetacular na CART e por fim, o seu retorno ainda mais ingrato à F1 até o seu trágico acidente.

Um ano sem marcar pontos na F1 jamais tirou o prestígio de Alex Zanardi diante de seus fãs

Mas discorrer sobre isto é algo que não vale mais a pena. Todos sabemos a politicagem, interesses e fatores “obscuros” os quais estão sujeitos os pilotos da Indy que vão para à F1. Como último exemplo, temos Sebastien Bourdais, um dos pilotos mais incríveis da história do automobilismo de monoposto norte-americano e também uma das últimas figuras de personalidade que surgiram no automobilismo mundial nos anos 2000. Talvez um dos poucos, pois dá para contar nos dedos de uma mão os pilotos de personalidade desta década tão estranha para o automobilismo. Bourdais terminou sendo vítima de um “crime” na F1. Sim, pois substituir um piloto como Bourdais por uma palhaçada de um modelo de passarela chamado Alguesuari, é algo que deve ser considerado um crime hediondo. Por isso me recuso firmemente a acreditar que os melhores do mundo estão na F1. Será que o requisito para estar na F1 deixou de ser o “pé direito pesado” para se tornar “parecer um cantor de boy band adolescente”?

O que me perturba ultimamente é a falta de racionalismo deste pensamento de chegar para um Dario Franchitti, um Tony Kanaan, um Dan Wheldon, um Helio Castroneves ou um Will Power (este último parece que certas pessoas querem vê-lo à força na F1, mesmo para ter o mesmo fim do Bourdais) e fazer questionamentos do naipe “Fica aquela pontinha de frustração por não ter corrido na F1?”.

Dario Franchitti, tri-campeão da Indy. Só alegria para o escocês voador

Os meus argumentos contra este tipo de questionamento, são fatos concretos. Creio que essa filosofia é uma faca de dois gumes. Podemos exemplificar isto com valores. Por exemplo, boatos dizem que o belga Jerome D'Ambrosio, substituirá Lucas di Grassi na Virgin no ano que vem. O valor a ser pago pelo belga para ocupar o cockpit da Virgin, conhecidamente um dos carros mais medonhos da F1 atual, será de 20 milhões de dólares.

A Andretti Autosport gasta 10 milhões de dólares anuais para manter o carro de Tony Kanaan no grid. Não vou negar o óbvio de que o sonho da esmagadora maioria dos pilotos que começam a correr de kart quando pequenos, é chegar um dia à F1. Mas sendo racional e olhando para as circunstâncias modernas.. Será que vale mais a pena o quê? Ser um “frustrado” da F1 em uma boa equipe na Indy, ou estar na principal categoria do automobilismo mundial, se arrastando no fim do grid com grandes chances de ser mais um “F1 reject”? Entre ser um “frustrado” da F1 campeão ou vencedor na Indy e ser um “frustrado da F1” em lugar nenhum, qual é a melhor opção? Levem em consideração que estou fazendo esta análise com base em dados como gastos para se correr em cada categoria e custo benefício.

Felipe Massa, piloto vitorioso da principal equipe da F1. Será que ele está mais feliz em seu cargo do que Dario, Power, Castroneves e etc?

Não sei se dá para considerar uma frustração, correr em uma das principais equipes do open wheel norte-americano, ter chances de vitória em todas as corridas, poder levar a vida mais “livre” de um piloto da Indy, que tem muito menos obrigações promocionais e restrições contratuais do que um piloto de F1 e ainda por cima poder competir em outras categorias apenas por prazer, de vez em quando. Creio que a mídia mundial deveria rever um pouco os seus conceitos.

Acredito que muitos concordarão comigo, quando digo que é melhor ser um “frustrado” campeão correndo em uma Penske ou uma Ganassi, tendo liberdade para correr contra todos os competidores, do que ser um “vitorioso na F1”, tendo que deixar de lado a “personalidade de piloto”, para assumir o papel de “funcionário de empresa”, tão superestimado por uma F1 controlada por montadoras e se submeter às mesmas situações humilhantes típicas da hierarquia empresarial que assolou a F1.

Bourdais pode ser considerado frustrado por ter sido trocado por Alguersuari?

Se eu pudesse escolher preferiria ser o “frustrado” com um equipamento de ponta, correndo para si mesmo e para a sua PRÓPRIA equipe de mecânicos, do que o “vitorioso” cujo rosto parece pesar 10 mil toneladas diante da situação em que se encontra, mesmo estando em um lugar que o consenso considera o “máximo” do que um piloto pode almejar.. Estão vendo amigos? O automobilismo moderno anda tão estranho que nem precisa mais “marcar zero pontos na F1” e ir correr na Indy para ser um “frustrado”.. Já é possível assumir este papel até mesmo tendo uma carreira vitoriosa na principal equipe da F1.

Entrevistas com os ex-pilotos da CART/Champ Car: “Making Off”

Christian Fittipaldi e Antonio Pizzonia falam com o Blog da Indy

Olá amigos do Blog da Indy, como vão vocês? Na coluna de hoje irei contar um pouco sobre o meu trabalho nos bastidores da polêmica etapa da Stock Car Brasil realizada em Ribeirão Preto. A minha principal função na cobertura deste evento, foi abastecer ao site Amigos da Velocidade, do nosso grande Téo José e é claro, entrevistar os pilotos com passagem pela CART/Champ Car para o nosso Blog.

Vou começar falando como foi a entrevista com Christian Fittipaldi, o tão famoso sobrinho do Emmo e filho do Wilsinho, um dos principais representantes do Brasil na CART nos anos 90, vencedor de Road America 1999 e da Marlboro 500 de 2000, por vários anos piloto da Newman-Haas e com 12 pontos marcados na Fórmula 1 correndo por equipes pequenas.

Christian Fittipaldi estreou na Fórmula Indy em 1995 pela equipe Walker Racing.

Conversei com Christian pela primeira vez ainda na sexta-feira, pouco antes dos treinos livres onde os pilotos iriam pela primeira vez andar no estreito e travado traçado montado nas ruas de Ribeirão Preto. Cheguei em frente aos boxes da atual equipe de Christian, a Gramacho Racing e vi que os carros já estavam sendo levados aos pits (em Ribeirão a garagem foi montada separada da área dos pits). Percebi Fittipaldi se preparando para acompanhar seus mecânicos para fora da região das garagens e achei mais sensato me apresentar e deixar para entrevistá-lo depois, já que naquele momento ele devia estar concentrado para o treino. Cheguei perto dele e disse quem eu era e para quem estava trabalhando, perguntei se teria problema em me ceder uma entrevista após o treino e Christian muito educado me deu um aperto de mão e disse “claro cara, sem problema!”. Desejei bom treino a ele e aguardei o final da sessão.

Terminados os treinos, me dirigi novamente à garagem da Gramacho, equipe que também abriga outro ex-piloto da Fórmula 1 e da CART, Tarso Marques, que infelizmente havia batido naquela sessão de treinos. Assim que Christian chegou com o seu carro dentro da garagem, me coloquei ao lado do assessor de sua equipe para aguardar ele descer do carro. Fittipaldi desceu do seu Stock branco, tirou o seu capacete da marca alemã Schubert (o mesmo usado por Massa, Alonso, Rosberg e Schumacher) e deu um beijo em sua parceira que o aguardava. Um fato curioso que notei é que Christian não usa balaclava. Depois de beijar sua companheira e trocar umas palavras com os mecânicos, Christian veio andando em nossa direção e deu sua impressão da pista ao assessor. Resolvi usar meus conhecimentos como kartista e já tendo uma noção da opinião que ele teria sobre a pista, resolvi dizer a ele: “E ai Christian, a pista está totalmente sem borracha pelo jeito, não? E a superfície, é plana ou ovalada?”. Ele me respondeu como se eu fosse um membro de sua equipe e como se nos conhecêssemos à anos! “Cara, a pista tá sem grip ainda, pra um circuito de rua até que não tem muitos bumps e a superfície é plana. Mas é muito travada, aquela parte da rotatória é um `Mickey Mouse’, travada demais”, disse ele.

Dita a impressão da pista, aguardei ele a se “recompor” na área reservada nos fundos da garagem e daí fomos para um pequeno gabinete reservado para rápidas reuniões do piloto com pessoal da equipe e também aonde os pilotos guardam seus capacetes, macacões e etc. Disse a ele que com certeza ele iria gostar das perguntas. E eu realmente tinha certeza disso, afinal imagino que poucos profissionais do jornalismo devem fazer perguntas que remetam a momentos da carreira de Christian que a maioria das pessoas desconhece.

E lá fui eu, começar a minha primeira entrevista “oficial” neste esporte que tanto amo que é o automobilismo. Nos primeiros momentos eu falei para ele sobre as “duas” boas temporadas que fez na F1 correndo em equipes pequenas, mas acabei fazendo confusão afinal Christian correu três temporadas na F1. Também acabei confundindo a passagem de Christian pela Arrows, confundi Arrows com Footwork já que poucos anos antes de Christian correr por lá a saudosa equipe inglesa correu com o nome de Footwork. Mas tudo bem, Christian sabia que não é qualquer um neste país que reconhece que sua carreira na F1 não foi ruim, afinal caro leitor, você acha que pontuar na Minardi por duas temporadas consecutivas e também conseguir marcar pontos com uma Arrows, podem ser considerados resultados ruins? Eu acho que não, definitivamente não!

Partindo para as perguntas sobre o que nos interessa, a carreira de Christian na CART, posso dizer que na segunda questão que fiz, presenciei uma cena que jamais vou esquecer e que valeu pela entrevista inteira: A emoção de Christian quando lembrei-o da sua primeira Indy 500, onde largou na posição 27 e chegou em segundo, correndo pela equipe Walker.
Eu nem tinha completado a pergunta e assim que falei a data daquela edição das 500 Milhas de Indianápolis, Christian automaticamente já sabia que meu interesse era por um grande momento de sua carreira que certamente as pessoas não costumam lhe fazer recordar freqüentemente. Nada vai me tirar da memória o sorriso e a mão de Christian atrás do pescoço, com certeza saudoso daquele momento tão glorioso de sua carreira. Daí para a frente, a entrevista parecia mais uma conversa informal entre amigos do que um trabalho. Terminada a entrevista, eu quis tirar uma dúvida pessoal que sempre tive à respeito dos carros da CART: Se era necessário utilizar o pedal da embreagem em todas as trocas de marcha. Christian disse que antes de quebrar a perna em seu primeiro acidente na CART, ele sempre freou com o pé direito e usava a embreagem. Depois do acidente, Christian passou a usar os dois pés, freando com o pé esquerdo como se dirigisse um kart. Ele disse que nem no seu Stock usa mais a embreagem. Curioso também foi quando ele contou como era feito o acerto para Indianápolis em 1995: Colocava-se certo ângulo de asa no carro, ia-se para a pista e tranquilamente era possível contornar o lendário oval de pé em baixo. Depois a equipe ia aos poucos tirando ângulo da asa, até chegar em um ponto que já ficasse quase sem condições de contornar tudo em flat!

Outra curiosidade foi sobre um conhecido sujeito da Internet que sempre disse ser íntimo dos bastidores da CART nos anos 90, mas que curiosamente não foi lembrado pelo nosso entrevistado.

Minha próxima missão no circuito ribeirão-pretano, foi ir atrás de entrevistar outro piloto que nos representou nos circuitos da Champ Car e também da Fórmula 1: Antônio Pizzonia, que agora corre na Stock pela equipe Hot Car, cujo atual engenheiro é Enzo Morrone, pessoa pela qual tenho grande respeito apesar dos vários anos sem vê-lo. Enzo foi quem me ensinou as técnicas de pilotagem no meu primeiro ano de kart, ele quem me mostrou as noções básicas de pilotagem quando me dava aulas no Kartódromo de Interlagos. A entrevista com Pizzonia foi mais uma excelente surpresa e com certeza uma grande experiência. Não tive qualquer dificuldade ou empecilho para entrevistar mais este piloto de carreira internacional, que fez grandes revelações ao Blog da Indy e mostrou grande humildade ao responder por que não correria na atual Fórmula Indy. Pizzonia foi um dos poucos pilotos que puderam dirigir duas gerações diferentes de carros da Champ Car: O chassi Lola B02/00 e o Panoz DP01. Antônio disse que estes carros, ambos com motores turbos, eram muito prazerosos de se dirigir e que o grande truque para andar rápido com eles era aumentar a pressão do turbo através da borboleta localizada no volante, para que a pressão não caísse nas curvas. Ai está mais um detalhe técnico que eu não sabia. Pensava que para não deixar cair a pressão do turbo, o “macete” era continuar pressionando um pouquinho o acelerador durante as freadas, já que mesmo no Lola já não era mais necessária a clássica manobra do punta-taco. Muito interessante saber que existia uma borboleta no volante com esta função de regulagem da pressão do turbo, certamente algo bem mais cômodo e prático para o piloto do que todo o contorcionismo necessário com os pés para se dirigir os F1s, protótipos do Grupo C e todos os carros com motores turbo dos anos 80.

Antonio Pizzonia na equipe RocketSports com o chassi DP01 em Long Beach 2008.

Mas o melhor da entrevista com o piloto amazonense, com toda certeza foi saber que ele já conhecia o Blog da Indy. Quando fui me apresentar a ele e falei que estava cobrindo o evento pelo nosso Blog, Pizzonia disse que já conhecia o site e é um dos nossos leitores. Posso concluir que tive ótimas impressões dos dois pilotos entrevistados, ambos demonstraram atenção e respeito ao jornalista de uma forma que muitos pilotos sem 1% do currículo destes dois não tem interesse em demonstrar. E é sempre tão bom falar sobre a CART e a Champ Car! Como pelo visto não é todo dia que alguém pergunta para esses caras coisas sobre suas passagens nestas categorias, parece que a entrevista assume um caráter mais de conversa informal mesmo, o que sem dúvida alguma nos leva para detalhes e curiosidades bem mais interessantes do que aquilo que costuma resultar de entrevistas onde apenas são perguntadas as mesmas “trivialidades”!

Bom amigo do Blog, então é isso, espero que tenha passado para vocês um pouco do prazer que tive com esta minha primeira experiência ao vivo no meio automobilístico! Forte abraço e cuidem-se bem!

500 Milhas de Indianápolis na Band: Paradoxo de qualidades

Band capricha na narração e comentários mas decepciona na transmissão

Acompanhar as 500 Milhas de Indianápolis sempre é uma emoção especial. Por maior que seja o domínio de uma equipe no lendário circuito oval, a prova sempre tem um ar de suspense e uma atmosfera única e mágica não só nos bastidores, mas principalmente na ação que acontece naquele asfalto banhado de glória e sangue. Apenas as cerimônias de abertura explicam porque a corrida pode ser considerada um campeonato à parte.

Nesta temporada de 2010 a expectativa para o evento era maior do que nos últimos anos, não só pelas esperanças que surgiram para os fãs da categoria após a saída de Tony George, mas também pelo alto nível de competitividade esperado devido aos vários talentos presentes na prova e ao grid com tempos bem próximos. Outra grande causa de ansiedade nos fãs da Fórmula Indy para esta edição foi a volta de Téo José como narrador da prova, fato que não acontecia desde 1995. Depois de tantas edições das 500 Milhas sofrendo com as tão criticadas narrações de Luciano do Valle (que merece o respeito de todos pelo que já fez no passado), o fã da Fórmula Indy estava empolgado em ver Téo José de volta ao microfone para narrar a corrida mais importante da temporada. Afinal, ninguém mais agüentava os já clássicos “Don Wheldon”, “Danicki Pátchiki”, “Bryan Briscoe”, “Takuma Satô”, “Mario Meira”, entre outras pérolas, não é mesmo?

Digo que no quesito narração e comentários das 500 Milhas de Indianápolis de 2010, o telespectador não tem do que reclamar. Téo José e Felipe Giaffone nos brindaram com um trabalho espetacular, de altíssimo padrão, conhecimento técnico, histórico e até mesmo cultural! Depois de ter que aturar a “disputa de egos”, as “cortadas”, o exibicionismo, a desinformação e a lavagem cerebral promovida pelo narrador e comentarista que apresentam a Fórmula 1 na Rede Globo, o telespectador se sentiu no paraíso ao poder ver uma corrida de alto nível sem ter que aturar a síndrome de “prima donna” que empesteia as transmissões da Fórmula 1 e tanto irritam os fãs do automobilismo. Não há nada de “polêmico” ou desrespeitoso no que estou falando. Basta viver no mundo real, conversar com as pessoas nas ruas e mesmo a mais alienada das criaturas sabe do descontentamento com a qualidade das narrações e comentários dos eventos automobilísticos transmitidos no Brasil.

Téo José e Felipe Giaffone em Indianápolis comandaram com excelente narração e comentários.

Nota 10 para a humildade, informação, sobriedade e profissionalismo de Téo José e Felipe Giaffone!

O outro fator que causa muita expectativa no admirador do automobilismo em poder assistir este espetacular evento é com certeza a chance de poder ver AO VIVO e na ÍNTEGRA, a principal corrida do campeonato. Conforme anunciado pela Band, como nos últimos anos, o fã iria ver as 500 Milhas de Indianápolis nas circunstâncias acima escritas.

Mas não foi o que aconteceu. Em paradoxo com a qualidade da narração, podemos dizer que todo o encanto da transmissão do começo até metade da corrida foi perdido devido aos mais do que desrespeitosos cortes na transmissão. Cortes na transmissão para exibir um joguinho medíocre entre São Paulo e Guarani. Não quero entrar aqui em um debate sobre a mediocridade do jogo por causa de preferências de times (e olha que o Jackson é São Paulino fanático e nem ele queria saber do jogo). Deixo bem claro que não gosto e não acompanho futebol. Fosse qualquer outro jogo, independente dos times presentes, a crítica seria a mesma. Peço perdão aos amigos do Blog, mas como em uma coluna temos o direito de expressar nossa opinião pessoal e acredito que a maioria que freqüenta este espaço compartilha da minha visão, não há jogo de futebol que justifique cortar a transmissão das 500 Milhas de Indianápolis. E a velha desculpa de que vivemos no “País do Futebol” e que apenas uma minoria acompanha automobilismo, ainda mais o automobilismo nos moldes norte-americanos disputados em circuitos ovais, definitivamente não pode ser usada para absolver a culpa da Band pelo que foi feito na corrida.

Como bem observado pelo nosso amigo e parceiro do Blog, Marcos Matsumoto, a Band acabou dando um tiro no próprio pé, pois passando um pouco de futebol e um pouco da corrida, acabou não passando é nada e não satisfazendo nenhum dos dois lados

Bandeirada final, Dario Franchitti vence a Indy 500. Neste momento Mike Conway era vítima de um terrível acidente. Os fãs ficaram aflitos por a corrida ter sido cortada antes de notícias sobre o estado de Conway

E para agravar ainda mais a situação, a corrida foi cortada no seu momento mais crítico, justamente quando aconteceu o terrível acidente de Mike Conway e Ryan Hunter-Reay. Para o verdadeiro fã do automobilismo, o verdadeiro apaixonado pelo esporte, foi como um “tapa na cara” ver o Dallara-Honda da Dreyer & Reinbold totalmente desintegrado após se chocar contra o alambrado e não ter notícias do estado de saúde de Conway. Os fãs da Fórmula Indy ficaram com o coração apertado diante de tamanha falta de respeito. Quem em sã consciência vê um episódio temerário como o protagonizado pelo piloto inglês e logo depois consegue “desligar totalmente a mente” para ver um jogo de futebol? Como se não fosse um ser humano dentro dos restos daquele carro.

O telespectador também ficou sem ver Dario Franchitti provando pela segunda vez o leite de Indianápolis.

Felizmente após alguns longos minutos, o BLOG DA INDY recebeu a notícia direto de Indianápolis de que Conway “apenas” fraturou a perna esquerda, o que acabou não sendo grande prejuízo diante da gravidade do acidente.

Particularmente não acho justo exibir uma corrida de 500 Milhas e não oferecer a oportunidade do telespectador acompanhar o desfecho completo da prova e nem a mais do que tradicional comemoração do vencedor. Escrevo esta coluna não apenas como maneira de expressar minha opinião pessoal, mas de falar pelos nossos leitores, pois um dos principais objetivos do Blog da Indy é servir como voz dos amantes da categoria, pessoas que tão pouco espaço possuem para dizerem o que pensam na mídia do automobilismo nacional.

Por hoje é isso amigos, fica aqui novamente a minha admiração pelo excelente trabalho de Téo José e Felipe Giaffone, mas também a minha grande indignação com a forma marginalizada com a qual o fã da Fórmula Indy é tratado no Brasil no quesito transmissão das corridas!

Forte abraço!

500 Milhas de Indianápolis: A magia insubestimável.

Indianápolis não perdoa nem mesmo um campeão como Tony Kanaan

Oi amigos do Blog da Indy, como vão vocês? Depois de acompanharmos o drama de muitos pilotos durante o Bump Day para as 500 Milhas de Indianápolis que serão realizadas no próximo domingo, eu não poderia deixar de abordar outro assunto que não fosse a aura mística que a centenária prova carrega.

É um tremendo clichê falar da importância desta corrida que já foi capaz até de justificar a existência de uma categoria. Mas apenas nos damos conta da mágica da Indy 500 quando nos deparamos com uma situação como a vivida por Tony Kanaan no domingo passado, durante o Bump Day. Tony Kanaan, campeão de 2004 da Fórmula Indy, oito participações em Indianápolis, um dos pilotos mais respeitados do automobilismo mundial. Mesmo com esse espetacular currículo, pudemos ver a emoção do piloto baiano ao conseguir duramente se classificar para as 500 Milhas deste ano. Certamente o próprio Tony jamais imaginaria passar por um sufoco destes, uma situação que muitos acreditam ter sido causada pela enorme carga de responsabilidade que Kanaan carrega dentro da Andretti Autosport, aonde ele teve que andar nos cinco carros da equipe para ajudar no acerto de seus companheiros. Se esta função realmente chegou ao ponto de tirar a tranqüilidade de Tony para ter liberdade de se concentrar no seu próprio acerto, quem está do lado de fora não pode afirmar com convicção. Mas é certo que não foi justo com o campeão de 2004 passar por um momento de tamanho sufoco. Ainda assim, fica o registro do trabalho excepcional da Andretti Autosport que conseguiu consertar o carro número #11 em tempo recorde, além da admirável atitude de Ryan Hunter-Reay, que segundo Tony, cedeu metade do seu carro para que o Dallara Honda do time 7- Eleven pudesse ficar apto para qualificar.

Tony Kanaan, o Dallara da Andretti e este que vos escreve.

Alguém consegue imaginar situação parecida na Fórmula 1? Um piloto cedendo peças de seu carro para o bem do companheiro de equipe? Digo que a atitude de Reay foi mesmo algo a ser guardado no coração dos amantes da velocidade, pois nem em vários campeonatos não federados de kart que já participei, pude presenciar um gesto tão solidário. Digo que já vi pilotos quererem alugar motores e peças quando alguém foi vítima de quebra ou acidente que impossibilitou a participação em alguma corrida. Ver um ato de solidariedade como este em uma categoria onde milhões estão em jogo, definitivamente prova que o cavalheirismo no automobilismo não morreu totalmente.

As lágrimas de alívio de Tony Kanaan me remetem à duas situações ocorridas na primeira metade dos anos 90. A primeira foi o momento em que o glorioso Al Unser Jr venceu a edição de 1992 da Indy 500 e ao tirar seu capacete e balaclava, disse ao repórter que o entrevistava: “You don´t know what Indy means” (você não sabe o que Indy significa).

Al Unser Jr venceu a corrida em 1992 pela Galles. Dois anos depois, voltaria vencer, pela Penske.

A segunda situação foi a famosa não classificação da equipe Penske para a edição de 1995 das 500 Milhas. Depois de um domínio absurdo em 1994 aonde os igualmente famosos motores Mercedes-Benz (com o clássico acionamento por varetas), a equipe de Emerson Fittipaldi e Al Unser Jr não conseguiu se encontrar no circuito e chegou inclusive a pegar chassis Lola emprestados com a equipe Rahal, o que acabou não adiantando no fim das contas, pois pela primeira vez o Penske Team estava fora da Indy 500.

Al Unser Jr utilizando os chassis da equipe Rahal para tentar a classificação para a prova de 1995.

Estes acontecimentos provam que mesmo no século XXI, Indianápolis continua insubestimável, não perdoa ninguém independente da equipe, vitórias e títulos conquistados e etc. Mesmo tendo o seu regulamento próprio questionado por muitos, ninguém pode contestar as regras de Indy, pois a sua idade e importância ultrapassam qualquer preferência ou lógica de diferentes épocas e isso é um dos fatores que tornam a prova tão única.

O drama de Kanaan começou no sábado a tarde e só terminaria 24 horas depois.

Por maior que seja a diferença de equipamento e até de talento, só Indianápolis proporciona situações onde o campeão pode ter que enfrentar os mesmos desafios do piloto de equipe pequena e aonde até mesmo o merecedor pode perder o seu lugar para alguém que eventualmente pode vir a comprar uma vaga e coisas assim.

E a edição deste ano promete muito. Helinho pode definitivamente subir ao patamar “inatingível” de lenda, caso iguale as quatro vitórias de A. J. Foyt, Rick Mears e Al Unser (pai). Tony com certeza virá com a faca nos dentes querendo fazer valer a pena o sufoco do Bump Day, e Vitor Meira mesmo tendo demonstrado insatisfação quanto ao acerto do carro da Foyt, sempre andou bem em Indianápolis e quer apagar a má experiência do ano passado. Bia Figueiredo surpreendeu ao superar todas as outras mulheres que participarão da corrida, o que para a piloto não significa propriamente muita coisa, pois convenhamos, a própria Bia já deve estar farta dessa história de “uma mulher em um esporte dominantemente masculino” e sabe que dentro da pista ninguém pensa em sexo dos pilotos. Moraes também surpreendeu ao ser o melhor piloto da KV na classificação e Romancini pode se considerar um vencedor ao classificar o carro da Conquest. Raphael Matos vem no bolo e tem carro para conseguir um excelente resultado.

A não classificação de Paul Tracy também é uma grande amostra de como Indy não deve ser subestimada. Quem diria que o canadense, apontado como favorito para vitória por muitos, iria ficar de fora? Pessoalmente fiquei até chateado pelo insucesso de Tracy, quem o segue no Twitter sabe que o Sr. Apronta Tudo entrou em uma duríssima rotina de exercícios físicos que lhe renderam até estiramentos musculares na perna. Paul chegou até a postar uma foto vestindo seu macacão da Forsythe de 2003, ano em que foi campeão da Champ Car e certamente a época em que esteve mais magro em toda sua vida.

Por hoje é isso amigos, espero que essa edição da Indy 500 seja bem emocionante e nos proporcione o mesmo entretenimento que as saudosas corridas da metade dos anos 90 para baixo proporcionavam!

Comparação entre Fórmula Indy X Fórmula 1 – Parte II: O grande erro da nossa mídia

Olá amigos do Blog da Indy. Tomei a liberdade de escrever uma segunda parte da coluna publicada na semana passada. Como vocês bem sabem, no meu último texto escrevi uma comparação entre a Fórmula Indy e a Fórmula 1 quanto ao aspecto de respeito aos fãs. Citei os fatos que presenciei na SP Indy 300 que me mostraram um maior custo benefício aos fãs da velocidade em relação ao que é oferecido em termos de conforto e interação na Fórmula 1 em Interlagos.

Pois bem, depois de alguns comentários de nossos leitores e de uma rápida pesquisa na repercussão que a corrida em São Paulo teve na nossa mídia, tão acostumada a cobrir a Fórmula 1, pude tirar uma conclusão: Nosso jornalismo automobilístico tem o péssimo hábito de comparar tecnicamente as duas categorias em termos de carros, pilotos e pistas. Também existe uma ânsia em querer medir o nível de prestígio e imagem das duas categorias.


Penso que muitos fatores contribuem para essas comparações que ao meu ver não possuem o mínimo sentido. As duas categorias possuem propostas extremamente diferentes e visões de competição brutalmente distintas. Historicamente tudo me leva a acreditar que essas comparações tiveram início ainda no fim dos anos 80 e na primeira metade dos saudosos anos 90, precisamente quando a Fórmula Indy começou a ganhar grande visibilidade na nossa mídia devido ao sucesso de Emerson Fittipaldi e posteriormente devido ao fato do então campeão mundial de Fórmula 1, Nigel Mansell, ter deixado a categoria onde fez seu nome, para se tornar piloto da Newman-Haas na então IndyCar World Series.

É óbvio também que o fato das duas categorias possuírem teoricamente os carros mais rápidos do mundo, abrigarem pilotos de fama mundial e grandes patrocinadores e salários, leva as pessoas mais leigas a automaticamente traçarem comparações entre as duas competições.

Mas partindo de uma análise mais fria, não há qualquer sentido em querer fazer comparações com a finalidade de definir qual categoria é melhor que a outra em termos técnicos. A Fórmula 1 tem como objetivo ser a nata de toda tecnologia e desenvolvimento automobilístico. Tudo é feito visando o aperfeiçoamento tecnológico, cada peça de um F1 é projetada no seu limite e tudo é feito para superar recordes ano após ano. Existe o pensamento de que a F1 é o maior laboratório tecnológico da área automotiva, um verdadeiro campo de provas onde é investida grana pesada para o desenvolvimento de componentes que talvez possam vir a um dia serem usados nos carros de rua.

Já a Fórmula Indy tem o princípio de existir como um campeonato automobilístico cuja única função é o esporte em si. Claro que existe algum desenvolvimento nos seus carros. Sabemos que em um passado não muito distante tínhamos um maior desenvolvimento tecnológico na Fórmula Indy.
Na Fórmula Indy, assim como por exemplo no kart, existem os fabricantes de chassi e de motores que vendem ou alugam o equipamento para as equipes interessadas. Atualmente sabemos que só temos uma marca de chassi e uma de motores, mas o princípio é o mesmo de várias categorias existentes pelo mundo. Você compra o “kit car”, reúne uma equipe de mecânicos e engenheiros, um, dois ou mais pilotos e tem a sua equipe. A diferença é que você terá nas mãos um carro de Fórmula feito em fibra de carbono e com um motor V8 de 650 cavalos e uma tecnologia respeitável. Não uma tecnologia de ponta como a da Fórmula 1, mas um aparato cuja única finalidade é fazer funcionar o conjunto do Fórmula Indy e não desenvolver alguma revolução que venha a otimizar a performance ou futuramente ser desenvolvida para o mercado de carros em série.

A Fórmula 1 busca tecnologia limitada apenas pelo seu próprio regulamento e pela vastidão do infinito. A Indy tem como objetivo uma das filosofias da Fórmula 1, que é a competição como esporte. Muitos acreditam que há muito tempo a Fórmula 1 deixou de lado o seu caráter esportivo e focou demais no desenvolvimento tecnológico e na parte comercial.

Agora sim amigos, chegamos ao ponto aonde penso ser coerente, válida e saudável a comparação entre as duas categorias. Os fatores espetáculo, entretenimento e relação com os fãs podem e devem ser comparados. Falar que um Dallara da Indy é um carro tosco perto de uma Mclaren ou uma Red Bull, por exemplo, isto é tomar partido de uma visão tacanha e medíocre, atitude de quem só vê preto e branco e claramente não entende muita coisa de automobilismo. Como comparar carros feitos com propostas totalmente diferentes? Como fanático pelo AUTOMOBILISMO e velocidade, digo que sou apaixonado pelas duas categorias. Ninguém é obrigado a gostar das duas, mas o que não tem sentido é formar opinião com base em comparações sem nexo.

Um Fórmula 1 com seu motor girando a 18.000 rpm, seus freios de fibra de carbono parando o carro a mais de 300 km/h em um espaço inferior a 100 metros, certamente é uma das coisas mais emocionantes que uma pessoa pode admirar. Mas não penso que toda essa superioridade tecnológica é razão para menosprezar ou difamar a Fórmula Indy, uma categoria que se não possui os carros mais avançados do mundo, proporciona um bom espetáculos aos fãs e prima pela competitividade antes de qualquer coisa.

Penso que a Fórmula 1 é como aquela garota mais linda da época do colegial. Aquela garota com pele de pêssego e atributos físicos atléticos que todos os garotos veneram, a garota mais popular de um colégio, aquela cujo corpo parece ter sido esculpido. O problema é que todos sabem que jamais conseguirão nada com essa garota popular, a mesma se porta como figura inatingível cuja beleza é premissa para que possa olhar todos por cima.

Já a Fórmula Indy pode não ser a garota top do colégio e nem uma capa de revista masculina, mas é como se fosse uma ótima namorada que além de amiga, companheira e divertida, não tem tabus ou frescuras na hora de compartilhar o prazer a dois e explorar os “limites da irresponsabilidade”, enfim, alguém que satisfaça o parceiro em todos os sentidos e encontre satisfação com isto. Diferente da garota popular, que encontra sustento no senso comum e nos padrões da sociedade para subir em um pedestal. Peço por favor que as garotas que acompanham o blog passem para o masculino o exemplo acima. Sou grande crítico do machismo e não quero passar nenhuma falsa impressão.

As detestáveis palavras de Fernando Alonso após o GP do Bahrein, mostram bem o alvo da minha crítica. O espanhol quando questionado sobre o marasmo e a falta de ultrapassagens da primeira etapa do mundial, afirmou que as pessoas que acham a Fórmula 1 sem graça atualmente, deveriam procurar outro esporte. No mesmo fim de semana, tivemos a SP Indy 300 com 95 ultrapassagens no circuito citadino paulistano!

Ao meu ver este é o problema da Fórmula 1. A categoria deveria se bastar ao significado importantíssimo dela para o automobilismo mundial e a sua riquíssima e preciosa história. A categoria do Sr Bernie não deveria e não precisa de inatingibilidade ou arrogância para garantir seu status. Não há razão para manter tamanha distância com os fãs e se colocar em um lugar inalcançável. Uma categoria com tantas belezas não precisa disto.

E pelo que pude notar conversando ultimamente com pessoas da área até os fãs mais leigos do automobilismo, a paciência com esta aura de inatingível da F1 já está chegando ao fim.

A Fórmula 1 para o público atualmente pode ser comparada com aquela clássica situação do rapaz pobre interessado em namorar uma garota de família rica. Receberá hostilização e sofrerá preconceito por parte de pessoas afoitas por um “bom partido” para a garotinha da família. No caso a Fórmula 1 está para a família rica e os fãs no papel do rapaz pobre.

Infelizmente a nossa mídia parece compartilhar do mesmo senso comum das pessoas pobres de espírito que confundem bens materiais com qualidade. Para muitos “especialistas” da área, a Fórmula Indy é uma “família pobre, cujo filho não tem nada para oferecer em troca da pureza de minha filha”.

Como as palavras podem ser interpretadas de várias maneiras, deixo dois vídeos para os leitores assistirem e entenderem aonde quero chegar.




A Formula não é amigável com as próprias pessoas que lá trabalham...



...com os fãs então, a situação é ainda pior.

Comparação Fórmula Indy X Fórmula 1: O respeito por quem vai às corridas

Torcedor saiu do Anhembi feliz com o tratamento que recebeu pela organização.

Olá amigos do Blog da Indy. Não pude deixar de dedicar um texto a um fato que me chamou atenção durante os dias em que acompanhei ao vivo a SP Indy 300: O conforto e respeito ao torcedor em comparação com aquilo que os fãs enfrentam nas arquibancadas do GP Brasil de Fórmula 1 em Interlagos.


Como apaixonado por automobilismo, estive em todos as provas da Fórmula 1 realizadas em Interlagos desde 1995. Tive a oportunidade de assistir às provas acomodado em diferentes setores do autódromo, sendo a maioria das vezes no setor G, localizado na reta oposta do traçado paulistano.

O que eu quero questionar aqui não é a prova em si ou qual das duas categorias é mais emocionante de se ver ao vivo. Isto fica ao gosto de cada um. O motivo do meu espanto foi o conforto e o respeito encontrados pelos fãs, as instalações acomodaram os torcedores com uma dignidade que faz com que pensemos se realmente o dinheiro gasto com o ingresso da Fórmula 1 vale o que se paga.

Quem costuma freqüentar o setor G de Interlagos sabe que, por exemplo, levar a namorada, esposa, amiga ou até mesmo a filha, é pedir para passar raiva e enfrentar situações das mais constrangedoras e humilhantes imagináveis. Claro que uma brincadeira ou outra é saudável e que muitas mulheres até gostam de uma pequena “provocação”, mas não é preciso muito esforço para perceber que particularmente no setor G as coisas passam dos limites. Já presenciei até insinuações de cunho sexual para menores de idade e não é raro também que aconteça um começo de discussão ou briga.

Torcedores tinham mais conforto no sambódromo com banheiros decentes pelo que se paga em um ingresso de valor alto.

Na SP Indy 300 havia muitos casais e mulheres vestidas em trajes mais “confortáveis” e ainda assim não me recordo de ter presenciado nenhum insulto ou “brincadeirinha” de cunho mais pesado. Não sei qual a explicação para isto. Comentando este fato com leitores do Blog da Indy presentes no local, alguns sugeriram que isso talvez se devesse ao fato de que o torcedor da Fórmula Indy geralmente é alguém mais “aficionado” por automobilismo, alguém que vai à corrida com a grande intenção de realmente curtir o evento como esporte, enquanto na Fórmula 1 é sabidamente grande a quantidade de pessoas que estão no evento pelo fato de terem ganho as entradas e não nutrirem uma preocupação especial em apreciar o evento em si, mas em farrear mesmo.

Sinceramente não consigo encontrar uma explicação concreta e definida para isso, mas o fato é que esta diferença foi notada pelos presentes que já tiveram oportunidade de ver uma corrida de F1 em Interlagos.

No Anhembi era possível você descer do seu lugar na arquibancada e ir buscar uma bebida ou um lanche, sem correr o risco de não encontrar mais lugar quando voltar ou de receber uma vaia homérica na verdadeira peregrinação que é subir entre as pessoas amontoadas na arquibancada. Claro que o público presente em Interlagos é bem maior do que a quantidade de pessoas que estavam no Sambódromo, mas ainda assim, a mobilidade do torcedor na SP Indy 300 era infinitamente superior se comparada com a que o fã tem na Fórmula 1.

Todos que anualmente vão ao GP Brasil e assistem a corrida das arquibancadas sabem que é necessário chegar no mínimo umas duas horas antes para encontrar um lugar nas gigantescas filas que se forma nos arredores do autódromo. No dia da corrida da Indy, vi pessoas chegando 15 minutos antes da largada e conseguindo acomodações sem nenhum problema maior. Tente chegar 15 minutos antes da largada no GP Brasil de F1 e será grande a chance de até perder a corrida. Outro ponto positivo da SP Indy 300 foi o relativamente curto intervalo de tempo entre as atividades na pista. Bem que uma categoria de turismo ou de uma Fórmula de base cairia bem, mas ainda assim o fã não precisou ficar intermináveis horas definhando no sol escaldante, sentado no mesmo lugar para não perdê-lo como acontece na F1. Você podia tranquilamente descer, tomar um refrigerante na sombra, conversar com os amigos e depois voltar para a arquibancada.

Setor G em Interlagos em dia de corrida de Fórmula 1: Estrutura tubular e super lotação por ser o lugar mais em conta.

Chega a ser cruel a comparação entre a estrutura sanitária dos dois eventos. No Sambódromo tínhamos banheiros fixos e proporcionalmente limpos e abastecidos com papel higiênico, enquanto na F1 o torcedor pena em banheiros químicos quase inutilizáveis e pode sofrer bastante se não fizer uma preparação em seu relógio biológico nas horas que antecedem o evento.

No Anhembi era possível escolher várias opções de alimentação, desde espetinhos, hot dogs, pastéis, nuggets, sanduíches naturais, batatas fritas e até temakis! Claro que o preço das bebidas e lanches estavam absurdamente inflacionados, assim como acontece na F1, mas pelo menos senti que tínhamos mais opções e o tempo perdido nas filas era bem menor.

Quanto aos souvenires, havia apenas uma loja com camisetas, bonés e chaveiros oficiais do evento, não tínhamos nenhum ponto de venda com lembranças de equipes ou pilotos, mas ainda assim o valor dos produtos não era tão exorbitante como na F1.

Enfim, como apaixonado pelo automobilismo e também pela Fórmula 1, não quero aqui desmerecer a corrida em Interlagos. Sempre que tiver condições eu continuarei comparecendo à todas as edições do GP Brasil de Fórmula 1 e não preciso escrever o quanto é emocionante ver de perto uma corrida da categoria máxima do automobilismo mundial em termos técnicos e tecnológicos. Alguns dos momentos mais inesquecíveis da minha vida eu compartilhei com meu pai e meus amigos durante a Fórmula 1 em São Paulo.

Mas pagando o alto valor que pagamos para ver a Fórmula 1, acho que deveríamos ter uma estrutura minimamente mais digna, pois acho que não é justo desembolsar quase 500 reais no ingresso mais barato no setor G para não ter o mínimo de conforto e ainda correr o risco de passar por situações humilhantes ou presenciar as companhias em maus momentos.

Por isso que eu digo que em termos de bom trato com o torcedor e conforto a SP Indy 300 deu várias voltas na Fórmula 1, que nesse quesito é uma retardatária mais atrasada que a Milka Duno em relação ao Will Power na prova da Indy realizada em São Paulo.

Bastidores da SP Indy 300: O espírito da Fórmula Indy visto de perto

Olá amigos do Blog da Indy. Tentarei através desse texto expressar para vocês alguns sentimentos daqueles que não conseguimos guardar com nós mesmos, aquelas experiências que devem ser divididas com os amigos. Quero compartilhar com vocês como foi comprovar pessoalmente, junto com meus amigos do Blog da Indy, a sensação de conhecer bem de perto os bastidores desta categoria que tanto nos seduz.

Sim pessoal, realmente o “circo” da Fórmula Indy é tudo aquilo que sempre ouvimos falar dos meios de comunicação estrangeiros, tudo é prazerosamente acessível e extremamente familiar. Já tive a oportunidade de circular pelos bastidores de várias categorias do automobilismo e digo para vocês que em meio aos carros, pilotos e mecânicos da Indy senti um ambiente muito mais leve e descontraído do que muita categoria regional do automobilismo brasileiro.

Para vocês terem idéia, vou contar o momento em que Jackson, o editor do nosso blog e eu chegamos ao local onde a equipe KV Racing montava seus carros, dentro do pavilhão do Anhembi, junto com todas as outras equipes da Indy. Em dado momento, eis que avistamos ninguém menos do que Jimmy Vasser, ele mesmo, o campeão de 1996 da CART, primeiro piloto a conquistar um título pela Chip Ganassi. Vasser, já com barriga saliente e alguns cabelos brancos, nos recebeu carinhosamente ao perceber que carregávamos um pôster com a imagem de seu carro na época da Ganassi. Quando nos aproximamos, Jimmy olhou o pôster e pudemos notar certo brilho em seus olhos relembrando de seu glorioso passado. O campeão então pediu uma caneta para que pudesse assinar o pôster, mas nenhum dos dois integrantes do Blog da Indy tinha uma naquele momento, então Jimmy se dirigiu próximo a uma caixa de ferramentas onde Takuma Sato conversava com dois mecânicos e perguntou se um dos três tinha uma caneta, que acabou sendo oferecida por um dos mecânicos. Responda querido leitor, você consegue imaginar uma situação assim na Fórmula 1? Consegue imaginar um Martin Withmarsh ou um Ron Dennis tendo o trabalho de se dirigir até um de seus mecânicos para pedir uma caneta e dar um autógrafo para um fã?

Fábio Henrique, Jackson Lincoln e Jimmy Vasser com o pôster de campeão da Indy de 1996.

Mais absurdo ainda, imagine em um fim de semana da Fórmula 1, um fã sentando na roda de um carro da equipe Williams para tirar uma foto, isso exatamente no momento em que os mecânicos da equipe estão levando o carro para uma inspeção técnica! Pois é amigos, o rapaz que escreve este texto tirou uma foto encostado em uma Newman-Haas, momentos antes de o carro ser levado para a zona de abastecimento, na sexta-feira anterior aos treinos de sábado da SP Indy 300! Simplesmente perguntei aos mecânicos se poderia tirar uma foto em frente ao carro e um deles disse que poderia até tirar encostado se quisesse..

Por mais que a atual fase da Fórmula Indy esteja distante dos gloriosos anos 90 e que a categoria pareça estar em seus primeiros passos de reconstrução, é fantástica essa característica do bom trato com os fãs, humildade, interação e ausência de frescuras que atualmente parecem contagiar uma grande porcentagem de todo automobilismo mundial.

No mesmo dia em que tive a oportunidade de observar os carros na zona de reabastecimento localizada atrás do pavilhão de exposições do Anhembi, pude também ter uma agradável conversa com um mecânico da Dreyer & Reinbold Racing, que tomava conta do carro de Mike Conway, belo carro visto ao vivo, diga-se de passagem. Eu sempre tive curiosidade quanto ao funcionamento da embreagem dos carros da Fórmula Indy e uma vez observando as borboletas atrás dos volantes dos Dallaras-Honda, notei que nos mesmos só haviam duas borboletas, diferentemente dos volantes dos carros de F1 que possuem quatro borboletas (as de cima para redução e aumento das marchas e as de baixo usadas para acionar a embreagem nos momentos em que o piloto vai entrar ou sair dos boxes). Resolvi então perguntar para o mecânico da Dreyer como funciona este sistema em um Indycar. Atenciosamente ele me disse que a embreagem é acionada por pedal, assim como em qualquer carro de câmbio cem por cento manual, mas só é necessário apertar o pedal de embreagem quando deseja-se engatar a primeira marcha, de resto você não precisa sem tirar o pé do acelerador para subir as marchas, apenas para descer, obviamente em uma freada. Se na Fórmula 1 existe o costume de se tampar as entradas dos boxes com tapumes para que as outras equipes não possam “espiar” os carros rivais, imagine um “zé ninguém” do nada entrando nos boxes para perguntar uma coisa tão comum aos mecânicos e envolvidos com a equipe.

Tive também a oportunidade de conversar com Tony Kanaan que muito solícito conversou com todos os integrantes do blog e respondeu pacientemente todas as nossas perguntas. Perguntei ao Tony sobre a técnica de se dirigir em ovais que não exijam freadas nem reduções de marcha, mas aonde também não é possível contornar todas as curvas em “flat”, ou seja, em aceleração plena. O campeão de 2004 da Fórmula Indy gostou da pergunta e respondeu que tudo isso é relacionado ao carro que você dirige. Se é um bom carro, você vai sentir segurança para explorar seus limites e o carro vai te dizer quando você deve tirar o pé, agora em um carro ruim isso fica realmente complicado. “Mas no fim das contas isso tudo vai bem mais do feeling e do talento do piloto” resumiu Tony.

Fábio Henrique e Tony Kanaan conversando sobre a técnica de pilotar em circuitos ovais.

Outro momento curioso foi quando encontramos com Takuma Sato, o japonês que certamente animou as corridas de F1 nos últimos anos com lances como a ultrapassagem por fora em cima de Fernando Alonso em Montreal 2007, mas que infelizmente não teve uma boa estréia na KV.

Sato examinava o cockpit do seu Indycar, ainda parcialmente “empacotado” pela capa de couro preto que protege os carros durante o transporte aéreo. Sem dúvida foi uma cena bastante interessante, observar um homem com várias corridas disputadas na F1, olhar o seu Dallara assim como um garotinho admira o seu primeiro kart. Takuma, sempre sorridente e com uma aparência de personagem de “anime” do alto de sua diminuta estatura, também foi muito atencioso com todos os fãs e não negava fotos nem autógrafos para quem pedisse.

Takuma Sato examinando o carro no qual irá disputar a temporada 2010 da Indy.

Mal pude acreditar quando na sexta-feira em um dos portões de saída do pavilhão do Anhembi avistei A.J. Foyt, o “velho”, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 1961, 1964, 1967 e 1977, o maior vencedor da Indy 500 ao lado de Al Unser e Rick Mears! A.J., sempre com sua expressão austera e fria, andando com dificuldade, deve pesar seguramente quase 200 kg, visivelmente suportados por suas pernas tortas de tantos acidentes que já deve ter sofrido. No momento pensei comigo mesmo “Ou ele vai aceitar tirar uma foto ou vai me mandar para aquele lugar e sair resmungando”... Can you take a picture with me Mr A.J.? – A what? Respondeu Foyt que já fez com que eu quase me arrependesse do pedido, A picture Mr A.J.!, “Sure boy!”, respondeu ele. Ufa! A.J. Foyt, um cara que já venceu a Indy 500 guiando desde carros com motor dianteiro dos anos 60 até com um carro turbo já com efeito solo e construído por ele mesmo, aceitou tirar uma foto comigo! Ali estava diante de mim não só uma lenda, mas um sobrevivente, um homem visivelmente marcado pelo perigo enfrentado em longos anos de competição e avanço tecnológico da Fórmula Indy.

Ryan Hunter-Reay foi vítima de uma passagem não muito bacana quando chegou ao pavilhão do Anhembi na quinta-feira. O piloto entrava no local acompanhado de sua namorada, quando um segurança notadamente ignorante e despreparado, desferiu um médio tapa contra a virilha de Ryan e indagou o mesmo sobre sua credencial, falando alto em português. Ryan percebendo do que se tratava, tirou sua credencial do bolso de sua bermuda e assim o segurança o liberou. Curioso e engraçado também foi ver Ryan mandando sua namorada buscar centenas de copinhos d´água mineral. A garota mal conseguia segurar tantos copos e para a situação ficar ainda mais crítica, todos os seguranças que passavam apenas olhavam para o vestido curto da moça.

Ernesto Viso arrancou risos da equipe do Blog da Indy. “E ai Viso, e o Paul Tracy ta mais calminho?” Perguntou Jackson para o venezuelano que prontamente respondeu “Tá fodido” e provocou risos em todos que estavam ao seu redor. Sem dúvida Viso é um tipo curioso, tem cara e jeito de quem é xarope da cabeça mesmo. Para se meter com Paul Tracy realmente o sujeito deve ter um parafuso faltando.

Danica Patrick realmente é “marrenta” como suas atitudes sempre denunciaram. Tive a chance de vê-la de longe, indo para o hotel do lado da pista. Ela é ainda menor do que o Takuma Sato e é realmente muito franzina mesmo. Com seus enormes óculos e uma pesada mochila, Danica andava a uns dois metros na frente de seu namorado, um sujeito com cara de preocupado.

Danica Patrick em uma de suas visitas a garagem da Indy. Sempre acompanhada e evitando vídeos e fotos.

Will Power pareceu ser um sujeito atencioso com os fãs. O que mais chamou atenção foi o seu jeito meio robótico, olhando para os lados com um olhar fixo e expressão meio calma e meio sorridente. Ryan Briscoe lembra muito alguns pilotos brasileiros com a sua cara de piadista.

A organização da equipe Penske é algo fantástico. Durante o abastecimento do carro em parque fechado, notei que a equipe coloca um tapetinho especial naquele “furo” do chassi que é visível quando o carro está sem o bico. Acredito eu que seja para proteger os reservatórios de fluído de freio e os cabos dos sistemas eletrônicos. Uma proteção de couro também é colocada na asa traseira para que os mecânicos possam apoiar suas ferramentas e óculos no aerofólio sem riscá-lo! O detalhe que mais me impressionou foi uma espécie de adesivo pequeno em formato circular, semelhante aos adesivos colocados em folhas de fichários, que os mecânicos da Penske colocam nos parafusos de regulagem de asa traseira para esconder o acerto!

Carro de Hélio Castroneves da equipe Penske: uma das melhores estruturas da Indy.

Em contraste com a organização da Penske, pude notar a cadeira elétrica que é o carro de Milka Dunno, um chassi cheio de remendos bem aparentes!

Enfim amigos, creio que terei que deixar o resto da experiência para outra coluna e peço desculpas se este texto ficou mais com cara de uma conversa informal do que com jeito de coluna jornalística, mas essa foi minha intenção mesmo, passar para vocês esta experiência como se estivesse conversando com um amigo mesmo..

Porque é difícil manter-se preso a regras de formalidades textuais quando você quer expressar o prazer que foi ver Scott Dixon sendo o único piloto a retomar a curva antes da Reta do Sambódromo (ainda com o piso escorregadio no sábado), dando todo acelerador e corrigindo o volante em milésimos de segundo, absurdamente mais rápido do que qualquer outro piloto naquele momento!

Blog da Indy marca presença em inauguração da exposição sobre Helio Castroneves em Ribeirão Preto

Piloto tricampeão das 500 milhas de Indianápolis foi homenageado em Ribeirão Preto.

O Blog da Indy esteve presente na inauguração da exposição sobre a carreira de Helio Castroneves, realizada na manhã desta segunda-feira (08/03) no Ribeirão Shopping em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

O evento foi marcado pela carismática presença de Helinho, que foi muito atencioso com os fãs e fez um discurso falando da importância e da emoção desta homenagem oferecida a ele. Castroneves esteve acompanhado de sua família e da prefeita de Ribeirão Preot, Dárcy Vera.

Momento emocionante para Fábio Rodrigues entrando no IndyCar biposto.

A exposição contou com vários itens utilizados por Helio ao longo de sua vitoriosa carreira. Desde o seu primeiro capacete utilizado nos primeiros dias de kart até o casco utilizado na equipe Hogan-Mercedes na CART e os capacetes utilizados na Penske, tanto nos anos que a equipe utilizou os motores Honda na CART até a época em que foi impulsionada por motores Toyota e finalmente nos dias atuais, aonde novamente a equipe corre com os motores Honda, propulsor padrão atualmente na Fórmula Indy.

Os presentes também puderam admirar valiosos troféus conquistados por Helinho, como por exemplo o prêmio “Mario Andretti Rookie Award” de 1998, várias troféus obtidos na Indy Lights e o troféu conquistado ao vencer as Mil Milhas de Interlagos de 2006, em parceria com Nelson e Nelsinho Piquet. Um Fórmula 3 do início da carreira de Helio também despertou curiosidade nos fãs.

Mais um momento marcante para o colunista do Blog da Indy: Encontro com Hélio Castroneves.

Além de Helinho, o evento teve outra atração: Um carro de Fórmula Indy de dois lugares que levou vários convidados para darem uma voltinha pelo estacionamento do shopping. O carro foi dirigido por Brendan, natural de Indianápolis e integrante de uma empresa que possui dois Fórmulas Indy de dois lugares para serem usados em eventos e também adaptam chassis de Indy da Dallara para poderem rodar legalmente nas ruas dos Estados Unidos. A Indy Racing Experience também permite que qualquer fã possa dar voltas em um Fórmula Indy nos ovais de Indianápolis e no Walt Disney World Speedway. Interessante citar que a empresa conta com o apoio de pilotos como Davey Hamilton, Stéphan Grégoire e Arie Luyendyk Jr.



Como muitos fãs do blog perguntaram a motorização do Indycar de dois lugares, o BLOG DA INDY verificou que se trata de um motor Honda V6 1.500 utilizado na motocicleta Honda Goldwing. O motor, especialmente preparado tem potência superior aos 300 cavalos de potência e é movido a gasolina azul de aviação.

Fábio e os mistérios do motor Honda do IndyCar

Os ridículos chassis novos da F - Indy e o desperdício do Panoz DP01

Chassis DeltaWing revoltam os fãs da Fórmula Indy.

Quando na finada Champ Car foi percebido que os antigos chassis Lola B03/00 já não eram mais rentáveis e sofriam uma grande defasagem tecnológica, logo foi pensando em construir um novo carro para a saudosa categoria. Depois de muita pesquisa e desenvolvimento, a Panoz apresentou o moderníssimo chassi DP01, um monoposto muito bem fabricado e que encheram de esperanças os fanáticos fãs da extinta categoria.

Logo nos primeiros testes do DP01, realizados em Laguna Seca no início de 2007, o carro mostrou que realmente tinha um potencial incrível. Sebastien Bourdais, até então piloto da Newman Haas, marcou o tempo de 1min05seg880, sendo meio segundo mais rápido do que Ricardo Zonta que possuía o recorde supremo da pista californiana, obtido ainda em 2006 com um Toyota TF106 F1.

O chassi da Panoz foi utilizado pelas equipes da Champ Car durante toda a temporada de 2007 e também na última corrida da categoria, realizada no início de 2008 em Long Beach. Após a “reunificação” com a IRL, ficou decidido que a “nova Fórmula Indy” utilizaria os velhos e defasados chassis Dallara e isso praticamente decretou a “morte” do chassi Panoz DP01. Decidiram utilizar o Dallara que tem projeto de 2003 em vez de utilizar um carro feito em 2007 e cujos chassis tinham realizado pouquíssimas corridas. Na época alegaram que o carro da IRL tinha um custo mais baixo e que não haviam DP01s suficientes para suprir todas as equipes que já utilizavam os Dallara. Também falaram que o DP01 não havia sido projetado para andar em ovais, já que a Champ Car tinha virado uma categoria de mistos.

Os chassis Panoz DP01 da extinta Champ Car. Carros tão bem elaborados e rápidos como estes não mereciam virar peça de museu ou ficarem largados em galpões pelo mundo.

Duvido muito que um DP01 não possui condições técnicas para andar em um oval. E também não acredito que ele seja menos seguro que um Dallara em caso de acidente neste tipo de pista. Sabemos que durante sua história os chassis Dallara da IRL já apresentaram falhas estruturais gravíssimas, como por exemplo, no acidente sofrido por Tony Kanaan em 2003 no circuito de Motegi, aonde além de quebrar o braço o piloto baiano quase teve sua perna cortada por pasmem, um braço da suspensão que adentrou o cockpit durante a batida!

Claro que ainda assim o Dallara é um chassi muito seguro, basta ver as batidas absurdas que sofreu ao longo dos anos e seus pilotos quase sempre saíram ilesos. Porém é sabido entre os entendidos do meio que a segurança poderia ser ainda maior e que talvez o DP01 apresentaria resultados muito mais favoráveis.

É capaz que o futuro carro da F-indy seja algo parecido com isto, um carrinho da Hot Wheels

Agora a Indy Racing League pretende finalmente aposentar o Dallara para a temporada de 2012. Ao mesmo tempo em que os fãs estão mais do que ansiosos para ver um carro novo nos circuitos da Indy, a decepção é geral quando observamos os protótipos apresentados até agora.

Ousadia é algo que a Fórmula Indy necessita para sair da crise que enfrenta, porém todos os projetos apresentados até agora parecem aberrações, beiram o ridículo. Não é preciso ser engenheiro e nem especialista em aerodinâmica para notar a incrível falta de funcionalidade dos carros apresentados até agora: Os três Dallara que mais parecem carros do desenho Speed Racer ou veículos em miniatura imaginários da Hot Wheels, o Swift que mais parece um Batmóvel e finalmente o DeltaWing que é praticamente um insulto à inteligência dos fãs.

O DeltaWing nos remete aos primórdios das corridas de carros semi-supersônicos realizadas em desertos de sal, cuja finalidade era quebrar a barreira do som. Observem fotos destes eventos nos anos 50 e 60 e vão observar grande similaridade entre o DeltaWing e aqueles “carros”.
Isto é mais um avião de caça F15 com rodas do que um carro. É nítido que ou é uma estratégia de marketing ou alguma brincadeira do Chip Ganassi, proprietário do carro. Só de observar o chassi é possível notar que não possui a mínima chance de andar em uma pista. Reparem na distância ridícula entre as rodas dianteiras, é quase que uma moto. Simplesmente “mataram” todas as experiências e estudos realizados em carros de fórmula ao longo dos últimos 50 anos. É visível que se trata de alguma piada, pois o “carro” nem apresenta entradas de ar, certamente um motor instalado neste “chassi” iria ferver em poucos minutos. A própria expressão nos rostos de Scott Dixon e Dario Franchitti quando apresentados ao carro, mostra o tamanho do absurdo que foi apresentado.

O Spirit of America 1, recordista mundial de velocidade em 1963. Lembra alguma coisa?

Os outros carros, mais “convencionais” que o DeltaWing também apresentam características inexplicavelmente inúteis. O Swift, por exemplo, em algumas partes ele é bastante similar aos Panoz DP01, mas pra que o motor semi descoberto, por exemplo? Particularmente achei um detalhe bacana, pois sou um fã nostálgico. Quando bati o olho na metade do motor para fora, automaticamente lembrei do Renault RS01 1977 de Fórmula 1, o primeiro carro com motor turbo da era moderna da principal categoria de monopostos do mundo. Mas convenhamos, características como estas são grandes retrocessos diante da tecnologia que temos hoje em dia.

Digo que a única coisa que me animou nestas aberrações apresentadas até agora, foi o fato de que nenhuma delas apresenta tomada de ar acima do santoantonio do cockpit, o que diz que estão projetando um carro que usará motor turbo, aonde o ar chega ao motor empurrado pelo turbocompressor em vez de ser capturado pela tradicional tomada dos carros de motores atmosféricos.

Não consigo entender a mentalidade de alguns chefões da IRL. Por que não usar os Panoz DP01, carros que são novos, modernos, rápidos e que possuem um custo de manutenção muito mais baixo do que os atuais Dallara? Não seria muito mais fácil e prático do que perder tempo e dinheiro projetando carros de gibis, carros com painéis eletrônicos na carenagem, aviões com rodas e aberrações que mais parecem carros alegóricos ou brinquedos?

Santa Sacanagem Batman, vão usar o seu carro em vez deste daqui.

Definitivamente, em minha opinião o Panoz DP01 é o símbolo máximo de como pode haver tamanho desperdício e incoerência no automobilismo.

Para quem cresceu vendo os Lola, Reynard, Swift, Eagles e Galmer dos anos 90, é muito dolorido ter que encarar a real possibilidade de ver a categoria ser protagonizada por carros que beiram o ridículo. Parece que os atuais comandantes da IRL estão se esforçando para matar de vez a categoria.
 
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