500 Milhas de Indianápolis: A magia insubestimável.

Indianápolis não perdoa nem mesmo um campeão como Tony Kanaan

Oi amigos do Blog da Indy, como vão vocês? Depois de acompanharmos o drama de muitos pilotos durante o Bump Day para as 500 Milhas de Indianápolis que serão realizadas no próximo domingo, eu não poderia deixar de abordar outro assunto que não fosse a aura mística que a centenária prova carrega.

É um tremendo clichê falar da importância desta corrida que já foi capaz até de justificar a existência de uma categoria. Mas apenas nos damos conta da mágica da Indy 500 quando nos deparamos com uma situação como a vivida por Tony Kanaan no domingo passado, durante o Bump Day. Tony Kanaan, campeão de 2004 da Fórmula Indy, oito participações em Indianápolis, um dos pilotos mais respeitados do automobilismo mundial. Mesmo com esse espetacular currículo, pudemos ver a emoção do piloto baiano ao conseguir duramente se classificar para as 500 Milhas deste ano. Certamente o próprio Tony jamais imaginaria passar por um sufoco destes, uma situação que muitos acreditam ter sido causada pela enorme carga de responsabilidade que Kanaan carrega dentro da Andretti Autosport, aonde ele teve que andar nos cinco carros da equipe para ajudar no acerto de seus companheiros. Se esta função realmente chegou ao ponto de tirar a tranqüilidade de Tony para ter liberdade de se concentrar no seu próprio acerto, quem está do lado de fora não pode afirmar com convicção. Mas é certo que não foi justo com o campeão de 2004 passar por um momento de tamanho sufoco. Ainda assim, fica o registro do trabalho excepcional da Andretti Autosport que conseguiu consertar o carro número #11 em tempo recorde, além da admirável atitude de Ryan Hunter-Reay, que segundo Tony, cedeu metade do seu carro para que o Dallara Honda do time 7- Eleven pudesse ficar apto para qualificar.

Tony Kanaan, o Dallara da Andretti e este que vos escreve.

Alguém consegue imaginar situação parecida na Fórmula 1? Um piloto cedendo peças de seu carro para o bem do companheiro de equipe? Digo que a atitude de Reay foi mesmo algo a ser guardado no coração dos amantes da velocidade, pois nem em vários campeonatos não federados de kart que já participei, pude presenciar um gesto tão solidário. Digo que já vi pilotos quererem alugar motores e peças quando alguém foi vítima de quebra ou acidente que impossibilitou a participação em alguma corrida. Ver um ato de solidariedade como este em uma categoria onde milhões estão em jogo, definitivamente prova que o cavalheirismo no automobilismo não morreu totalmente.

As lágrimas de alívio de Tony Kanaan me remetem à duas situações ocorridas na primeira metade dos anos 90. A primeira foi o momento em que o glorioso Al Unser Jr venceu a edição de 1992 da Indy 500 e ao tirar seu capacete e balaclava, disse ao repórter que o entrevistava: “You don´t know what Indy means” (você não sabe o que Indy significa).

Al Unser Jr venceu a corrida em 1992 pela Galles. Dois anos depois, voltaria vencer, pela Penske.

A segunda situação foi a famosa não classificação da equipe Penske para a edição de 1995 das 500 Milhas. Depois de um domínio absurdo em 1994 aonde os igualmente famosos motores Mercedes-Benz (com o clássico acionamento por varetas), a equipe de Emerson Fittipaldi e Al Unser Jr não conseguiu se encontrar no circuito e chegou inclusive a pegar chassis Lola emprestados com a equipe Rahal, o que acabou não adiantando no fim das contas, pois pela primeira vez o Penske Team estava fora da Indy 500.

Al Unser Jr utilizando os chassis da equipe Rahal para tentar a classificação para a prova de 1995.

Estes acontecimentos provam que mesmo no século XXI, Indianápolis continua insubestimável, não perdoa ninguém independente da equipe, vitórias e títulos conquistados e etc. Mesmo tendo o seu regulamento próprio questionado por muitos, ninguém pode contestar as regras de Indy, pois a sua idade e importância ultrapassam qualquer preferência ou lógica de diferentes épocas e isso é um dos fatores que tornam a prova tão única.

O drama de Kanaan começou no sábado a tarde e só terminaria 24 horas depois.

Por maior que seja a diferença de equipamento e até de talento, só Indianápolis proporciona situações onde o campeão pode ter que enfrentar os mesmos desafios do piloto de equipe pequena e aonde até mesmo o merecedor pode perder o seu lugar para alguém que eventualmente pode vir a comprar uma vaga e coisas assim.

E a edição deste ano promete muito. Helinho pode definitivamente subir ao patamar “inatingível” de lenda, caso iguale as quatro vitórias de A. J. Foyt, Rick Mears e Al Unser (pai). Tony com certeza virá com a faca nos dentes querendo fazer valer a pena o sufoco do Bump Day, e Vitor Meira mesmo tendo demonstrado insatisfação quanto ao acerto do carro da Foyt, sempre andou bem em Indianápolis e quer apagar a má experiência do ano passado. Bia Figueiredo surpreendeu ao superar todas as outras mulheres que participarão da corrida, o que para a piloto não significa propriamente muita coisa, pois convenhamos, a própria Bia já deve estar farta dessa história de “uma mulher em um esporte dominantemente masculino” e sabe que dentro da pista ninguém pensa em sexo dos pilotos. Moraes também surpreendeu ao ser o melhor piloto da KV na classificação e Romancini pode se considerar um vencedor ao classificar o carro da Conquest. Raphael Matos vem no bolo e tem carro para conseguir um excelente resultado.

A não classificação de Paul Tracy também é uma grande amostra de como Indy não deve ser subestimada. Quem diria que o canadense, apontado como favorito para vitória por muitos, iria ficar de fora? Pessoalmente fiquei até chateado pelo insucesso de Tracy, quem o segue no Twitter sabe que o Sr. Apronta Tudo entrou em uma duríssima rotina de exercícios físicos que lhe renderam até estiramentos musculares na perna. Paul chegou até a postar uma foto vestindo seu macacão da Forsythe de 2003, ano em que foi campeão da Champ Car e certamente a época em que esteve mais magro em toda sua vida.

Por hoje é isso amigos, espero que essa edição da Indy 500 seja bem emocionante e nos proporcione o mesmo entretenimento que as saudosas corridas da metade dos anos 90 para baixo proporcionavam!

7 comentários:

ccws disse...

Aquele carro do Al Jr. era parecido com o do Raul Boesel que tinha as cores da Duracell.

Agora, o nosso Tracy (Sr. apr. tudo)está meio velhinho... O Rubinho e o Schumacher estão na mesma faixa de idade que o nosso bolinha canadense e continuam guiando muito bem, mas o Tracy tem cara de ser daqueles comilões e que pouco se lixam pra forma atlética... No passado tivemos o Alan Jones que era meio gordinho (não gordão, como o nosso Paul) mas que dava conta do recado. Se eu sou ele, paro de vez e cotinuo detonando a geladeira, ou faço uma preparação física para voltar por cima...

Anderson disse...

Paul Tracy dessa vez se preparou, emagreceu bastante, estava super motivado. Mas tava com a zica da equipe. Acabou sobrando pra ele, uma pena.

Fabio Henrique disse...

Pessoal, peço INFINITAS DESCULPAS, como pude esquecer de citar o magnífico trabalho do BRUNO JUNQUEIRA?!

Com toda certeza o mineiro merece um destaque especial, mais do que justo Tagliani ter colocado um carro a mais para retribuir o favor que Junqueira fez ano passado ao classificar o carro do canadense.

Certamente será um enorme prazer ver o pole position de 2002 de volta ao grid de Indianápolis. Ele merece uma vaga fixa em uma boa equipe, com toda certeza!

ccws disse...

ô Anderson, preparou bastante nao quer dizer redução de estomago nao? Confesso que nao vi o Tracy, e provavelmente a equipe dele não fez um bom trabalho. Mas o que eu to dizendo é a idade dele que o impede de descuidar do corpo... (se ele quiser continuar a dirigir).

Marco Matsumoto disse...

Ano passado foi a mesma coisa, o Tony sofreu e classificou com um carro todo remendado...

ccws disse...

Realmente anderson, pela foto dá pra ver que ele emagreceu...

Alexandre Lourenço disse...

Creio que o nosso poderoso Tony esta um tanto estressado depois desses dias de muito trabalho, me pergunto por que ele teve que acertar os 5 carros da Andretti?Pelo menos o Ryan Hunter Reay e o Marco Andretti teriam condições de se garantir, vai entender.Putz só de ler essa matéria ja foi muito bom, agora, adicionar estas fotos tão saudosas, caraca, valeu Fabão,incrível!!!!

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