Calendário 2010: de volta para o futuro

A divulgação oficial do calendário 2010 da Fórmula Indy na semana passada nos permite analisar o panorama da categoria no próximo ano e visualizar mais a fundo quais são os rumos que estão sendo trilhados visando a retomada da tão sonhada popularidade.

No que diz respeito ao calendário como um todo, considero positiva a divisão entre ovais e mistos. Uma das minhas principais críticas a IRL (principalmente em seus anos iniciais) era a adoção de um calendário com predominância de circuitos ovais. Eu entendo que uma divisão mais ou menos igual da temporada entre circuitos ovais (todos os tipos) e mistos (autódromos e rua) é algo atrativo para a categoria (além de ser característico da Indy). Essa configuração também demanda maior qualidade aos pilotos, afinal um campeonato “dividido ao meio” impossibilita que o cara bom só em ovais seja campeão. É necessário que o piloto seja completo. Isso vale para as equipes também. Aquelas mal adaptadas a ovais certamente ficarão para trás na classificação e tirarão de seus pilotos uma postulação ao título. Enfim, um calendário “50% a 50%” é justo e qualifica a categoria.

Rio de Janeiro: possível palco do Grande Prêmio do Brasil em 2010

Em relação a inclusão do Grande Prêmio do Brasil, considero esta uma boa decisão da Indy. Nosso país é um mercado importante, atrativo e ao mesmo tempo mal trabalhado. São mais de 20 anos de vitórias, títulos e competitividade de pilotos brasileiros contrastando com uma quase nula popularidade da Indy por aqui. Quando uma emissora ou grupo teve interesse em promover a categoria – anos de ouro do SBT entre 1995 e 1997 – houve retorno e muito fã da Indy hoje “nasceu” naquela época. Quero crer que o retorno do Grande Prêmio do Brasil é uma ação da Indy contextualizada em um ambiente de outras atitudes, a começar, claro, pela televisão. Se isso ocorrer sem dúvida será um grande passo para a retomada da popularidade e os conseqüentes ganhos para a categoria no mercado brasileiro.

A escolha da cidade brasileira parece ainda em aberto mas, conforme mencionei em minha última coluna (http://www.blogdaindy.com/2009/07/o-encontro-entre-helio-castroneves-e-o.html), “voto” no Rio de Janeiro. Além dos motivos que enumerei no texto anterior, reitero a repercussão midiática ocorrida após a divulgação do interesse da cidade pelo evento. Não é à toa: diversos canais de comunicação estão no Rio e isso maximiza algo que ocorre na cidade. E, como se sabe, qualquer evento precisa do apoio e do interesse da imprensa para vingar. Não vejo essa repercussão nas outras candidatas. Outro fator positivo para o Rio: senti que existe um “recall” das corridas em Jacarepaguá – quem foi ou acompanhou a realização do GP ‘s Brasil da Cart por lá ainda guarda lembranças na memória. Algo bem valioso para categoria.

Por outro lado, discordo da escolha do Brasil como prova de abertura. A primeira etapa tem quer ser marcante para o maior público da Indy: o norte-americano. Se a categoria não estiver bem lá, não estará bem em nenhum outro lugar. Dessa maneira a corrida inaugural deve ter apelo interno. Nada melhor, então, do que começar com Long Beach. Sem dúvida o retorno dessa prova foi um imenso ganho para a Indy em termos de mercado norte-americano: é uma corrida popular, tem história, está em um dos principais Estados do país e tem apelo internacional. Começar a temporada no Brasil, muito provavelmente com um horário na televisão diferente daquele de costume para os norte-americanos pode não ser uma boa idéia.

Surfer's Paradise (Austrália): sempre uma corrida com bom público

Já no que diz respeito as corridas fora da América, confesso que sinto falta da prova australiana. Surfer’s Paradise sempre foi um dos locais com maiores públicos para a categoria. E, como outro país abaixo do Equador, tem um grande mercado e é a principal nação da região. Se somarmos a tradicional (leia-se Honda) prova do Japão com o retorno do Brasil e essa corrida na Austrália, vemos uma categoria internacional e forte nesses extremos além América do Norte. E assim ninguém precisa da Europa – aliás acho excelente não ouvir nenhum rumor de retorno da Indy para lá. As corridas européias não deram certo, e nem quando um dos maiores ídolos do país mais “automobilista” do continente foi campeão na Indy (e em uma época de ouro: estamos falando de Mansell em 1993) houve popularidade no Velho Continente. Assim é perda de tempo apostar nessa praça. É muito melhor, por exemplo, reforçar as provas na própria América do Norte. Muita gente escolheu Toronto como uma das grandes provas do ano, e com razão. A presença de Paul Tracy (que aliás mandou muito bem na corrida e merece um cockpit para o resto da temporada) mostrou que o público canadense aprecia a categoria (ok Hélio, esqueça aquelas vaias) e duas corridas naquele país não são demais.

Por fim, ainda acredito que há espaço para o retorno de circuitos tradicionais da Cart, como Elkhart Lake, Portland e Laguna Seca – palcos tradicionais e históricos para a categoria. Com essa adição de outras provas importantes de fora dos EUA, a Indy pode reforçar sua posição e olhar para a frente sem se esquecer de aprender com o passado.

4 comentários:

Andre disse...

Eu gostei dos ovais do calendario, só faltou Fontana e New Hampshire para completar, mas os mistos estão uma desgraça,desse calendario só deixaria Long Beach,Toronto e Watkins Glen.Eu queria a volta de Laguna Seca,Portland e Elkhart lake.Sobre a prova no Brasil torço para que seja em Ribeirão preto

Anônimo disse...

Acho que Saint.Pets devia dar lugar a Surfes Paradise, Sonoma devia sair e entrar Laguna, Cleveland devia entrar em Edmontom, Iowa seria substituida por Portland. Indianapolis devia ter menos treinos (bem menos), devia voltar Michigam e Fontana.
Essas são as modificações que eu faria nesse calendario de 2010.
666

Leonardo Mendes disse...

Reitero quantas vezes for possível: acho que deviam acertar algumas pistas melhores, e no Brasil, não dá pra fazer no Rio, e poder midiático se constroi em qualquer lugar, basta carisma !!!

Anônimo disse...

O problema de Michigan e Fontana é que as arquibancadas ficavam vazias, as moscas, nas corridas da Indycar. Se nem em provas da divisão principal da NASCAR elas estão mais enchendo, acho que não vai ser agora, com a Indycar ainda mais decadente, que elas encherão. Então pelo aspecto econômico, acho que sem chances a curto prazo.

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