Grande Prêmio de Motegi e o panorama atual dos pilotos e equipes

Se não fosse pela trapalhada de Ryan Briscoe que por alguns segundos foi o campeão 2009 da Fórmula Indy, o Grande Prêmio do Japão iria ser novamente a corrida parada e sem emoção de sempre. Ultrapassagem é quase impossível no oval japonês, uma pista onde o acerto do carro é de uma importância absurda. Talvez por este motivo que as equipes com os melhores engenheiros, Penske e Ganassi, dominaram todo o final de semana.




O quê dizer do erro de Briscoe? Ao sair do pit stop, no momento em que liderava a prova por ter retardado suas paradas e num lance de extrema sorte, era beneficiado por uma bandeira amarela causada por Mike Conway, quando ao engatar a primeira marcha para sair dos boxes, o australiano acaba acelerando demais e as rodas destracionadas fazem com que ele bata a suspensão dianteira esquerda no muro interno da pista e saia arrastando um cone plástico de segurança. Não me lembro de ter visto um campeonato ganho, tão facilmente “perdido” assim. Acho que comparável a isso apenas o erro de Lewis Hamilton ao jogar o título de 2007 da Fórmula 1 pela janela, quando acabou errando e atolando o seu McLaren na brita da entrada dos boxes no GP da China daquela temporada.

Dixon e Franchitti em Motegi: Domínio da Ganassi.

São em momentos como o protagonizado por Briscoe, que a dúvida começa a povoar nossas mentes. Como pode um piloto capaz de controlar uma máquina de mais de 600 cavalos, andar lado a lado com vários carros a mais de 320 km/h, acabar cometendo um erro tão primário e inexplicável como a batida na saída dos pits? Uma coisa que ainda atiça mais nossa imaginação, o quê será que foi dito na conversa via rádio entre Briscoe e Roger Penske naqueles momentos? Como será que era a expressão facial do velho Roger quando observava os seus mecânicos consertarem a suspensão do Penske de Ryan Briscoe? E a reunião pós corrida, será que a orelha do australiano ardeu muito?

Ryan Briscoe pode ter jogado o campeonato fora no Japão.

Pessoalmente eu torço para que Briscoe conquiste o título deste ano. Acho que Franchitti é o melhor piloto entre os três que brigam pelo título, mas o escocês já tem o campeonato de 2007 e inúmeras glórias no currículo desde os tempos da CART. Dixon também é espetacular, mas acho que seria até ruim para a popularidade da IRL o fato do neozelandês vir a faturar um terceiro título. É o tipo de piloto que aliando seu grande talento junto com a competência técnica fantástica de sua equipe, a Ganassi, acaba provocando até “raiva” em parte dos fãs, devido a tamanha eficiência. O fato é que esse negócio de um piloto e uma equipe “dominarem” uma categoria por muitos anos é algo que já cansou os fãs do automobilismo, vide a chamada “Era Schumy” da Fórmula 1.

Agora vamos aos comentários individuais:

Em que fria foi se meter Tony Kanaan, hein? Continuar na Andretti Green demonstrou ter sido talvez o maior (e único) grande erro da carreira do campeão de 2004 da IRL. O fato é que a equipe não é nem a sombra do que era há uns três anos atrás. Motivos disso? Acredito que sejam três: A AGR deixou de ser uma equipe séria e focada na luta por vitórias, para se transformar em um time mais preocupado com o marketing e os holofotes.

Não preciso nem dizer quais são as provas disto, ou preciso? Danica Patrick e Marco Andretti. Para falar da “Mulher Maravilha”, basta lembrar a “craca” que virou a equipe Rahal Letterman quando Patrick chegou lá, nunca mais conseguiram repetir um campeonato como aquele de 2004.

E o pior de tudo, isso meio que contribuiu para acabar com a carreira de Buddy Rice (nunca vi um vencedor de Indy 500 ser tão desprezado e esquecido como ele foi) e dificultar um pouco as coisas para Vitor Meira.

Marco Andretti é uma aberração, uma reunião de todas as más qualidades de seu pai (e olha que nem estou falando de talento na pista). Jamais este garoto fez algo que justificasse chegar em uma categoria de ponta como a IRL. Sua única vitória foi uma tremenda de uma encenação, só venceu em Sonoma 2006 porque o seu pai ordenou a Bryan Herta, então piloto da AGR, para que rodasse propositalmente e causasse uma bandeira amarela para que Marco conseguisse completar a prova em primeiro (existia o medo de que Andretti sofresse uma pane seca e não conseguisse completar as últimas voltas).

O segundo motivo seja talvez a saída de dois dos principais engenheiros do time nos últimos anos. Sabemos que Tony Kanaan muitas vezes teve que levar o time nas costas em termos de acertos, imagine então a dificuldade que deve ser fazer isso contando com menos profissionais qualificados.

O terceiro fator pode ser a anunciada saída de Kim Green que pretende formar uma equipe com seu irmão Barry. Caso isso aconteça, a equipe pode esperar um período negro, pois existe muita dúvida entre os fãs se o Michael Andretti teria competência para fazer com que a equipe volte a andar na ponta. Fico chateado pelo Tony, ele merecia uma equipe mais séria e companheiros com nível de pilotagem equivalente ao seu. Imagine que disputas poderíamos ver. Mas ele teve o convite da Ganassi, foi uma oportunidade. Grandes chances são difíceis de aparecer no automobilismo e se esta foi recusada, certamente o próprio Kanaan deve ter os seus motivos.

Tony Kanaan vem sofrendo muito com erros da Andretti Green Racing em 2009.

Helio Castroneves se consagrou esse ano ao vencer pela terceira vez as 500 Milhas de Indianápolis, além de sua vitória pessoal aonde conseguiu provar sua inocência diante das acusações de sonegar o fisco dos Estados Unidos. Acredito que Castroneves caminha para quebrar o recorde de quatro vitórias que atualmente pertencem aos quatro mitos: Al Unser (pai), A. J. Foyt e Rick Mears.

Mas e sobre um possível título? Tenho lido muito a opinião de diversos fãs da Fórmula Indy e não são poucos aqueles que questionam o fato de que Helinho foi superado por todos os seus companheiros de equipe desde que estreou pela Penske em 2000. Gil de Ferran, Sam Hornish Jr e Ryan Briscoe, todos eles venceram campeonatos ou terminaram a temporada na frente de Castroneves. Não acredito que a vaga do homem aranha na Penske corra risco, mas espero que no ano que vem, disputando todas as provas, Helio consiga finalmente acrescentar um título ao seu riquíssimo currículo.

Mario Moraes vem evoluindo de maneira muito consistente e a equipe KV também tem demonstrado um grande trabalho. Não é facil conseguir andar próxima as equipes milionárias tendo um orçamento muito menor do que elas. Fato que Moraes também trouxe grande injeção de dinheiro para a equipe de Jimmy Vasser, mas ainda assim a única explicação para os bons resultados da equipe é o esforço e dedicação de seus membros e de seu piloto que cada corrida surpreende mais a todos.

A equipe Newman Haas parece que aos poucos vai conseguindo construir o seu caminho de volta as posições de destaque. Graham Rahal terminou em terceiro, seguido por seu parceiro, o experiente Oriol Servià. Ainda estão bem longe das Penskes e Ganassis, mas esperamos que ano que vem a equipe volte a ter a competitividade dos tempos da CART.

A atual dupla de pilotos dos carros patrocinados pelo Mcdonalds, também merece ser mantida. Graham Rahal é muito talentoso, não é mais um dos inúmeros filhos de campeões que estão em cena apenas por nome e dinheiro. O rapaz também parece ter cabeça e embora não possa ser comparado com o seu pai Bobby Rahal, este sim um dos grandes mitos da Fórmula Indy, pelo menos não é um Marco Andretti da vida.

Oriol Serviá também merece continuar pois como sabemos, jamais teve uma chance concreta de mostrar o seu potencial. Passou por várias equipes pequenas desde sua estréia na CART, mas nas poucas oportunidades que teve em bons carros ele mostrou que pode vencer, como quando correu pela Newman Haas em 2005 e venceu em Montreal.

E para finalizar, seguem alguns nomes de pilotos que neste momento deveriam ocupar cockpits em equipes melhores do que as que se encontram: Justin Wilson (venceu com a Dale Coyne este ano, precisa dizer mais?), Mike Conway (penso que o inglês é um talento desperdiçado pois é um grande piloto em circuitos mistos, talvez se a Champ Car ainda existisse ele poderia conquistar grandes resultados na saudosa categoria), Dan Wheldon (vocês acham que ele merecia depois do que fez na Ganassi ano passado, ou só foi campeão pelo momento que a AGR ocupava em 2005?) e Thomas Scheckter que chegou a andar em sétimo em Motegi.

Muito obrigado pessoal e até a próxima!

2 comentários:

Natanael disse...

O erro do Briscoe foi patético,pode ter jogado o campeonato fora, devia ter pensado primeiro nos pontos depois em vencer a prova. Mais patética ainda é a temporada da Andretti-Green, que além de ter deixado de fazer frente as Penskes e Ganassis, começa a perder espaco para emergentes na IRL como a KV e a Newman-Haas, digo emergente na IRL por que na CART a Newman-Haas era muito grande, mas no campeonato sob a chancela da IRL não tem ainda o mesmo desempenho. Eu se fosse Tony Kanaan já estaria arrependido a tempos de não ter ido pra Ganassi.

Josele Garza disse...

Boa parte também desse pífio rendimento da Andretti Green se deve ao fato da equipe perder a exclusividade dos motores Honda em 2004 e 2005. Nesta época, as potentes Penske e Ganassi corriam com Toyota, que abandonou a categoria no fim de 2005. E também o fato da equipe resolver apelar para o marketing do que as corridas. A vitória do Marco Andretti foi controversa, mas a da Danica Patrick também foi manipulada na minha opinião. O Hélio deu passagem para ela e lembro que todo mundo aplaudiu essa única vitória dela, sem se importar com as circunstâncias. Tomara que a Andretti Green se separe mesmo, que fiquem com Marco e Danica a parte Andretti, e que o Tony Kanaan fique com a parte Green, onde ele poderá render-se melhor e não precisar levar seus companheiros de equipe nas costas.

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