Entrevistas com os ex-pilotos da CART/Champ Car: “Making Off”

Christian Fittipaldi e Antonio Pizzonia falam com o Blog da Indy

Olá amigos do Blog da Indy, como vão vocês? Na coluna de hoje irei contar um pouco sobre o meu trabalho nos bastidores da polêmica etapa da Stock Car Brasil realizada em Ribeirão Preto. A minha principal função na cobertura deste evento, foi abastecer ao site Amigos da Velocidade, do nosso grande Téo José e é claro, entrevistar os pilotos com passagem pela CART/Champ Car para o nosso Blog.

Vou começar falando como foi a entrevista com Christian Fittipaldi, o tão famoso sobrinho do Emmo e filho do Wilsinho, um dos principais representantes do Brasil na CART nos anos 90, vencedor de Road America 1999 e da Marlboro 500 de 2000, por vários anos piloto da Newman-Haas e com 12 pontos marcados na Fórmula 1 correndo por equipes pequenas.

Christian Fittipaldi estreou na Fórmula Indy em 1995 pela equipe Walker Racing.

Conversei com Christian pela primeira vez ainda na sexta-feira, pouco antes dos treinos livres onde os pilotos iriam pela primeira vez andar no estreito e travado traçado montado nas ruas de Ribeirão Preto. Cheguei em frente aos boxes da atual equipe de Christian, a Gramacho Racing e vi que os carros já estavam sendo levados aos pits (em Ribeirão a garagem foi montada separada da área dos pits). Percebi Fittipaldi se preparando para acompanhar seus mecânicos para fora da região das garagens e achei mais sensato me apresentar e deixar para entrevistá-lo depois, já que naquele momento ele devia estar concentrado para o treino. Cheguei perto dele e disse quem eu era e para quem estava trabalhando, perguntei se teria problema em me ceder uma entrevista após o treino e Christian muito educado me deu um aperto de mão e disse “claro cara, sem problema!”. Desejei bom treino a ele e aguardei o final da sessão.

Terminados os treinos, me dirigi novamente à garagem da Gramacho, equipe que também abriga outro ex-piloto da Fórmula 1 e da CART, Tarso Marques, que infelizmente havia batido naquela sessão de treinos. Assim que Christian chegou com o seu carro dentro da garagem, me coloquei ao lado do assessor de sua equipe para aguardar ele descer do carro. Fittipaldi desceu do seu Stock branco, tirou o seu capacete da marca alemã Schubert (o mesmo usado por Massa, Alonso, Rosberg e Schumacher) e deu um beijo em sua parceira que o aguardava. Um fato curioso que notei é que Christian não usa balaclava. Depois de beijar sua companheira e trocar umas palavras com os mecânicos, Christian veio andando em nossa direção e deu sua impressão da pista ao assessor. Resolvi usar meus conhecimentos como kartista e já tendo uma noção da opinião que ele teria sobre a pista, resolvi dizer a ele: “E ai Christian, a pista está totalmente sem borracha pelo jeito, não? E a superfície, é plana ou ovalada?”. Ele me respondeu como se eu fosse um membro de sua equipe e como se nos conhecêssemos à anos! “Cara, a pista tá sem grip ainda, pra um circuito de rua até que não tem muitos bumps e a superfície é plana. Mas é muito travada, aquela parte da rotatória é um `Mickey Mouse’, travada demais”, disse ele.

Dita a impressão da pista, aguardei ele a se “recompor” na área reservada nos fundos da garagem e daí fomos para um pequeno gabinete reservado para rápidas reuniões do piloto com pessoal da equipe e também aonde os pilotos guardam seus capacetes, macacões e etc. Disse a ele que com certeza ele iria gostar das perguntas. E eu realmente tinha certeza disso, afinal imagino que poucos profissionais do jornalismo devem fazer perguntas que remetam a momentos da carreira de Christian que a maioria das pessoas desconhece.

E lá fui eu, começar a minha primeira entrevista “oficial” neste esporte que tanto amo que é o automobilismo. Nos primeiros momentos eu falei para ele sobre as “duas” boas temporadas que fez na F1 correndo em equipes pequenas, mas acabei fazendo confusão afinal Christian correu três temporadas na F1. Também acabei confundindo a passagem de Christian pela Arrows, confundi Arrows com Footwork já que poucos anos antes de Christian correr por lá a saudosa equipe inglesa correu com o nome de Footwork. Mas tudo bem, Christian sabia que não é qualquer um neste país que reconhece que sua carreira na F1 não foi ruim, afinal caro leitor, você acha que pontuar na Minardi por duas temporadas consecutivas e também conseguir marcar pontos com uma Arrows, podem ser considerados resultados ruins? Eu acho que não, definitivamente não!

Partindo para as perguntas sobre o que nos interessa, a carreira de Christian na CART, posso dizer que na segunda questão que fiz, presenciei uma cena que jamais vou esquecer e que valeu pela entrevista inteira: A emoção de Christian quando lembrei-o da sua primeira Indy 500, onde largou na posição 27 e chegou em segundo, correndo pela equipe Walker.
Eu nem tinha completado a pergunta e assim que falei a data daquela edição das 500 Milhas de Indianápolis, Christian automaticamente já sabia que meu interesse era por um grande momento de sua carreira que certamente as pessoas não costumam lhe fazer recordar freqüentemente. Nada vai me tirar da memória o sorriso e a mão de Christian atrás do pescoço, com certeza saudoso daquele momento tão glorioso de sua carreira. Daí para a frente, a entrevista parecia mais uma conversa informal entre amigos do que um trabalho. Terminada a entrevista, eu quis tirar uma dúvida pessoal que sempre tive à respeito dos carros da CART: Se era necessário utilizar o pedal da embreagem em todas as trocas de marcha. Christian disse que antes de quebrar a perna em seu primeiro acidente na CART, ele sempre freou com o pé direito e usava a embreagem. Depois do acidente, Christian passou a usar os dois pés, freando com o pé esquerdo como se dirigisse um kart. Ele disse que nem no seu Stock usa mais a embreagem. Curioso também foi quando ele contou como era feito o acerto para Indianápolis em 1995: Colocava-se certo ângulo de asa no carro, ia-se para a pista e tranquilamente era possível contornar o lendário oval de pé em baixo. Depois a equipe ia aos poucos tirando ângulo da asa, até chegar em um ponto que já ficasse quase sem condições de contornar tudo em flat!

Outra curiosidade foi sobre um conhecido sujeito da Internet que sempre disse ser íntimo dos bastidores da CART nos anos 90, mas que curiosamente não foi lembrado pelo nosso entrevistado.

Minha próxima missão no circuito ribeirão-pretano, foi ir atrás de entrevistar outro piloto que nos representou nos circuitos da Champ Car e também da Fórmula 1: Antônio Pizzonia, que agora corre na Stock pela equipe Hot Car, cujo atual engenheiro é Enzo Morrone, pessoa pela qual tenho grande respeito apesar dos vários anos sem vê-lo. Enzo foi quem me ensinou as técnicas de pilotagem no meu primeiro ano de kart, ele quem me mostrou as noções básicas de pilotagem quando me dava aulas no Kartódromo de Interlagos. A entrevista com Pizzonia foi mais uma excelente surpresa e com certeza uma grande experiência. Não tive qualquer dificuldade ou empecilho para entrevistar mais este piloto de carreira internacional, que fez grandes revelações ao Blog da Indy e mostrou grande humildade ao responder por que não correria na atual Fórmula Indy. Pizzonia foi um dos poucos pilotos que puderam dirigir duas gerações diferentes de carros da Champ Car: O chassi Lola B02/00 e o Panoz DP01. Antônio disse que estes carros, ambos com motores turbos, eram muito prazerosos de se dirigir e que o grande truque para andar rápido com eles era aumentar a pressão do turbo através da borboleta localizada no volante, para que a pressão não caísse nas curvas. Ai está mais um detalhe técnico que eu não sabia. Pensava que para não deixar cair a pressão do turbo, o “macete” era continuar pressionando um pouquinho o acelerador durante as freadas, já que mesmo no Lola já não era mais necessária a clássica manobra do punta-taco. Muito interessante saber que existia uma borboleta no volante com esta função de regulagem da pressão do turbo, certamente algo bem mais cômodo e prático para o piloto do que todo o contorcionismo necessário com os pés para se dirigir os F1s, protótipos do Grupo C e todos os carros com motores turbo dos anos 80.

Antonio Pizzonia na equipe RocketSports com o chassi DP01 em Long Beach 2008.

Mas o melhor da entrevista com o piloto amazonense, com toda certeza foi saber que ele já conhecia o Blog da Indy. Quando fui me apresentar a ele e falei que estava cobrindo o evento pelo nosso Blog, Pizzonia disse que já conhecia o site e é um dos nossos leitores. Posso concluir que tive ótimas impressões dos dois pilotos entrevistados, ambos demonstraram atenção e respeito ao jornalista de uma forma que muitos pilotos sem 1% do currículo destes dois não tem interesse em demonstrar. E é sempre tão bom falar sobre a CART e a Champ Car! Como pelo visto não é todo dia que alguém pergunta para esses caras coisas sobre suas passagens nestas categorias, parece que a entrevista assume um caráter mais de conversa informal mesmo, o que sem dúvida alguma nos leva para detalhes e curiosidades bem mais interessantes do que aquilo que costuma resultar de entrevistas onde apenas são perguntadas as mesmas “trivialidades”!

Bom amigo do Blog, então é isso, espero que tenha passado para vocês um pouco do prazer que tive com esta minha primeira experiência ao vivo no meio automobilístico! Forte abraço e cuidem-se bem!

4 comentários:

Sérgio disse...

Boa Fábio.
Estou assistindo a entrevista em vídeo em uma conta do youtube que só pode ser sua: "TeOdeioEclestone" hahaha..
Abraço!

Anônimo disse...

Que fotos legais! Existe um site com fotos históricas da Indy?

Grande abraço

Pablo

Alexandre Lourenço disse...

Fabão vc é o cara, a Cart foi e ainda é tão importante para nós amantes quanto para eles pilotos, com realção ao seu comentário sobre o Cristian, putz foi demais tocar no assunto da Indy 500 de 1995 com aquele carro da Walker verde e amarelo e acho que esse é um dos momentos inesquecíveis não só pra gente mas pra ele com certeza e ele ficou muito emocionado por saber que nós não nos esquecemos disso.Eu gostaria que um dia voce encontrasse o Maurício Gugelmin que nunca mais deu notícia e fazer aquela entrevista com ele.Um abração e parabéns por mais essa e vc é um cara com muita credibilidade por aqui!!!!

Alexanre Lourenço disse...

Só uma coisa,eu não sei se o Fabio perguntou mas se eu estivesse com o Christian, perguntaria a ele se ele pretende voltar para a Indy um dia ,nem que seja para correr outras Indy 500.

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