Entrevista com o piloto Raphael Matos

Piloto da Luczo Dragon Racing respondeu as perguntas do Blog da Indy.

Na semana passada após a corrida de Sonoma, o piloto brasileiro Raphael Matos foi entrevistado pelo Blog da Indy através do assessor de imprensa da equipe Luczo Dragon Racing, Kirk Reynolds. O piloto que completou vinte e oito no final de agosto falou de suas passagens pelas categorias de base, sobre o prêmio de dois milhões de dólares que não recebeu da ChampCar, da estréia na Indy, o título de novato do ano e chegar entre os dez primeiros do campeonato.

Acompanhe na integra a entrevista com Raphael Matos.

Blog da Indy: Como é chegar em uma categoria de ponta do automobilismo mundial, e todos te olhando como um campeão de todas as categorias que você passou? Claro que é o melhor cartão de apresentação, mas existe pressão também?

Raphael Matos: Chegar na Fórmula Indy foi uma coisa que eu sempre sonhei e trabalhei desde o primeiro dia que resolvi correr nos EUA. A pressão sempre existiu, ainda mais agora neste nível, tenho responsabilidades com patrocinadores e temos que mostrar resultados, claro tudo dentro da nossa capacidade. A equipe e nova e temos pouca experiência e muito pouco desenvolvimento no carro e ainda estamos construindo nossa estrutura.

BDI: Ainda nas categorias de base, qual a sua conquista que foi mais dura e a que lhe deu mais prazer pelo nível de competitividade e promoção profissional?

RM: Acredito que o campeonato de Atlantic foi muito disputado e competi contra o Frank Perera que já tinha experiência de GP2 e F1, não tive a oportunidade de usar os 2 milhões de dólares que ganhei porque a Champ Car estava falindo, mas tomei a decisão certa de competir no ano seguinte de Indy Lights pela Andretti Green. Ganhar o campeonato de Indy Lights foi certamente a minha maior conquista profissional e também o que abriu as portas para que eu entrasse na Fórmula Indy.

BDI: Até 2007 você tinha sua carreira praticamente voltada para a Champ Car. Vocês pilotos que estavam nos Estados Unidos já esperava a unificação das duas categorias?

RM: Sim, a unificação era esperada, mas ninguém sabia quando iria acontecer.

BDI: O que exatamente aconteceu com o prêmio de US$ 2 milhões pela conquista da Atlantic? Qual a equipe da ChampCar que você estava mais próximo de acertar para 2008?

RM: Nunca fui premiado com os 2 milhões, foi um problema porque a categoria estava falindo e a temporada de ChampCar custava entre cinco e seis milhões numa equipe competitiva. Estava negociando com a PKV Racing e com a Forsythe, no final das contas a PKV perdeu um dos patrocinadores e não podia mais me oferecer um contrato e a Forsythe decidiu não mais competir depois da unificação.

BDI: Caso você realizou algum teste com carros da ChampCar, qual foi este carro e como era guiar um ChampCar que era do ano de 2007 e a diferença com o IndyCar que são os mesmos chassis desde 2003?

RM: Infelizmente nunca cheguei a testar os carros da antiga ChampCar.

BDI: Em qual pista o piloto Raphael Matos mais gostou de pilotar até hoje?

RM: Gosto muito de Road America e Watkins Glen.

BDI: Em um campeonato de nível tão alto como a Fórmula Indy faz muita falta ter um companheiro de equipe?

RM: Muito, no momento essa e a nossa maior deficiência.


BDI: Chip Ganassi e Penske estão um degrau acima das equipes na IRL desde o ano passado. A estrutura da sua equipe Luczo Dragon Racing permite lutar por quais posições em pista?

RM: Isso depende da pista e de uma serie de outras coisas, mas diria que hoje pelo desenvolvimento e estrutura que temos andar entre os dez, isso já é uma vitoria pra gente.

BDI: Seu patrão é filho de um dos maiores ícones do automobilismo mundial. Você pensa um dia em pilotar um carro de Roger Penske?

RM: Qual piloto não gostaria né? Mas no atual momento sou contratado pela Luczo Dragon e quero dar o melhor de mim para minha equipe.

BDI: Sua maior batalha neste ano é com o holandês Robert Doornbos pelo título de novato do ano, briga está super acirrada entre vocês dois. Faltando três provas em ovais, você acha mais fácil ou difícil pelo acerto que a Luczo Dragon Racing tem para este tipo de circuito?

RM: Acho que temos todas as condições de vencer o titulo de novato do ano, andei na frente dele na maioria dos ovais de uma milha e meia e acredito que minha equipe tenha um acerto bom para as próximas corridas que são todas ovais de 1 milha e meia.

BDI: E no campeonato geral, você almejava alguma posição especifica no inicio da temporada?

RM: Esperava terminar entre os dez.

BDI: Para 2010 já existe algum contrato ou contato com equipes para a disputa do campeonato da IndyCar do ano que vem?

RM: Provavelmente continuarei na Luczo Dragon.

BDI: Qual a sua expectativa para a corrida do Brasil? Tem alguma cidade preferida? Você preferia que fosse em um autódromo misto, um circuito de rua ou mesmo no oval de Jacarepaguá onde a CART já realizou provas?

RM: Gostaria que fosse uma pista de rua no Rio De Janeiro, o lugar é maravilhoso e acho que seria um sucesso de público, e para os pilotos brasileiros seria incrível pilotar em uma cidade tão bonita e na frente dos fãs brasileiros.

BDI: Falando ainda no calendário 2010, pistas como Road America, Portland e Laguna Seca fazem falta ao calendário da Indy, já que estas provas eram tradicionalíssimas da categoria?

RM: São pistas maravilhosas , espero que um dia possamos voltar a correr lá. Portland não gosto tanto, mas Laguna é a pista perfeita para um carro de Fórmula Indy.

BDI: Na época da Indy500 (em maio) você declarou que em 1989 quando Emerson ganhou que você estava com seu pai no sofá assistindo a corrida. Como você vê a situação dos fãs da Indy que querem assistir as corridas da categoria hoje, mas a emissora que detém os direitos de transmissões não a passa na íntegra?

RM: Fico chateado por vocês, mas não tem muito o que eu posso fazer, sugiro aos fãs que acompanhe pela internet também.

BDI: Como Minas Gerais produz tão bons pilotos (vide você, Bruno e Cristiano) se não tem autódromos? Seu sentimento seria ainda maior correndo uma etapa da Indy na capital mineira caso BH entrasse na disputa também por ser sede?

RM: Sempre tivemos que ir pra São Paulo correr de kart e de carro, era nossa única opção. Correr na minha cidade natal seria um sonho, mas tem que existir vontade política pra que um evento desse porte possa acontecer. Pelo pouco que entendo da política de Minas Gerais, não vejo essa possibilidade em um futuro próximo, mas quem sabe um dia.

4 comentários:

Mário Carlos disse...

Excelente entrevista!

Dificil entender o calendario da indy, é tão claro a falta que algumas pistas fazem. Acho uma pena tbm que a corrida do Brasil nao seja nas ruas do Rio, seria um grande salto para conquistar mais fãs da categoria no Brasil. Acredito que o Raphael vai levar o titulo de novato do ano e torço para que no ano que vem a Luczo esteja mais forte.

Boa Sorte!

Anônimo disse...

É só falta uma entrevista com a Danica Patrick!!!!
666

Iron disse...

O Rapha Matos está numa equipe mais ou menos. Poderia estar melhor nos mistos porque esta é a tradição brasileira. Vamos ver no ano que vem pois ja deverá estar ambientado na categoria e se fizer do mesmo jeito deste ano vai ser não se segura na Indy.
Outro mineiro importante, o Bruno Junqueira, também precisava de uma oportunidade e pouco se fala dele.
Sobre o "Minas Ring",aqui em Minas Gerais existe um preconceito muito grande sobre a idéia de um autódromo local. Ninguém vê a possibilidade de atrair dinheiro com o esporte e também com os eventos empresariais que são gerados com as corridas. Até Pernambuco (com todo respeito aos nossos irmãos de lá) que é mais pobre economicamente, tem um autodromo razoável (não é nenhum Spa, mas é bem melhor que o Mega Space aqui em Santa Luzia, no qual falam que é autódromo mas só serve para algumas corridinhas com voyages e golzinhos velhos, 5 carros de cada vez).Esses caras do tipo Toninho e Cristiano Da Matta, Alex Dias Ribeiro, Bruno Junqueira e agora o Rapha são uns heróis em se tratando da mentalidade mineira "conservadora" que adora ganhar dinheiro escondido e dormir de meia furada em cima do colchão cheio de dinheiro com medo de investir em algo "diferente". Agora, vocês paulistas sabem que nem todos são assim aqui como os caras já citados. Um abraço!!!

Anônimo disse...

bela entrevista que vc conseguiu. O Raphael eh um cara bem pé no chão não é mesmo? Vi a trajetória dele, nao sei se aki msm no blog da indy, mas deu pra perceber q ele batalhou muito por onde passou. Tomara que ele fique com o Rookie of the year deste ano. Flw

Postar um comentário

 
Clicky Web Analytics