No último mês de Agosto através do assessor da equipe Penske, Merril Cain, conseguimos uma entrevista com o líder do campeonato da Fórmula Indy desta temporada, o australiano Will Power.
Por Jackson Lincoln e tradução de Fábio Henrique.
*A entrevista foi realizada no dia 21 de agosto, no sábado que antecedeu o Grande Prêmio de Sonoma, na qual Power foi o vencedor e conquistava sua quinta vitória no ano.
Blog da Indy: Will, como você chegou no automobilismo americano? Você queria ficar na Europa após competir na F3 Britânica e correr no primeiro evento da A1 GP?
Will Power: Eu gostaria de ter a chance de ir para a F1, mas foi me oferecida uma boa oportunidade quando fui procurado para dirigir para o Team Australia e acho que tomei a decisão certa, pois isso me fez acabar “aterrissando” na Penske.
BDI: Qual é a explicação de tantos australianos (você, Briscoe e Webber), vencendo em tantas categorias pelo mundo?
WP: A principal explicação que meus compatriotas australianos e eu estamos fazendo nosso trabalho tão bem, é que estamos todos em grandes equipes. Estar em uma organização com a Penske me dá a melhor oportunidade de mostrar minhas habilidades.
BDI: Falando sobre a Austrália, o que você pensa de Surfers Paradise não estar mais na categoria?
WP: Eu sinto saudades daquela corrida. É uma grande pista, um grande lugar e os fãs são incríveis. Talvez um dia a Indy retorne para lá.
BDI: Você sente falta de pilotar os carros turbo da Champ Car?
WP: Dirigir os carros turbo era muito divertido. Estou otimista sobre o retorno do turbo na Fórmula Indy em 2012.
BDI: Você guiou três diferentes carros em três temporadas (Lola em 2006, Panoz em 2007 e o Dallara de 2008 até hoje). Qual é a principal característica desses carros e qual você gostou mais?
WP: O Panoz foi o meu Champ Car preferido. Era bem desenhado e perfeitamente ajustado para o tipo de corridas que tínhamos. O Dallara é um grande carro, primeiramente desenhado para ovais. Isso diz que não é tão bom para circuitos mistos e de rua, mas é um pacote competitivo na Fórmula Indy agora.
BDI: O que você pensou quando recebeu a caixa de leite no pódio da SP Indy 300?
WP: Eu estava tão aliviado e feliz por vencer a corrida, foi indescritível. A caixa de leite foi incrível.
BDI: Como foi o clima entre os pilotos na última corrida da Champ Car em Long Beach?
WP: Havia uma sensação de mágoa doce. Estávamos encerrando um capítulo e abrindo outro. Foi espetacular vencer a corrida, Significou muito para mim.
BDI: Você viu algumas lutas entre pilotos na pista, como no pódio de Mont Tremblant 2007 quando você riu de Doornbos, que não recebeu os parabéns de Bourdais e foi deixado “no vácuo” pelo francês. Um ano antes Tag teve a luta com Paul Tracy em San Jose. Qual é a sua reação nesse tipo de situação?
WP: Isso é apenas adrenalina e emoção. Pilotos são apaixonados e às vezes essa paixão é mal direcionada.
BDI: Diga um pouco sobre quando Roger Penske te convidou para se juntar à equipe.
WP: Aquele talvez terminou como sendo um dos melhores dias da minha vida. Receber aquela ligação de Roger e Tim foi quase surreal. Aquele foi um grande dia.
BDI: Qual foi o momento mais difícil da sua recuperação após o acidente com Nelson Philippe em Sonoma no ano passado? Você esperava por uma recuperação tão rápida e um retorno em grande estilo?
WP: O momento imediatamente após o acidente. Eu estava com dor, eu senti como se minha carreira tivesse acabado. Uma vez eu sabendo que ia sarar, eu direcionei minha cabeça em voltar á forma para dirigir. Aquele era o meu foco, eu precisava voltar e ser rápido.
BDI: Você esperava vencer quatro corridas desde o começo de uma temporada competitiva como esta?
WP: Eu apenas fiz o meu melhor o tempo todo que estive na pista. Apenas fazer o trabalho cada dia e cada corrida. Eu me foco no que está à minha frente e presto atenção em todos os detalhes. Quando eu faço isso, o resto é consequência.
BDI: Quem foi seu rival mais duro desde que você chegou nos Estados Unidos?
WP: Na Champ Car foi o Bourdais e aqui na Indy é obviamente Franchitti, mas meus companheiros de equipe Helio e Ryan me pressionam também.
Alguns jornalistas brasileiros pensam que você não tem o mesmo bom desempenho nos mistos se comparado com o seu desempenho nos ovais.
Power chegou a Penske para substituir Hélio Castroneves no início da temporada 2009: Acabou impressionando Roger Penske.BDI: Você acredita que o fato de não ter feito muitas corridas em ovais é a razão ou algum tipo de má sorte para os resultados obtidos até agora neste tipo de traçado? Você está preparado para uma situação como, chegar em Miami precisando vencer a corrida para ganhar o campeonato?
WP: Minhas habilidades no oval estão melhorando. Eu fui competitivo em Indianápolis, Iowa e no Texas. Eu sentia que tinha carro para vencer qualquer um desses eventos. Eu sou bem vindo aos desafios que uma corrida em oval oferece.

6 comentários:
Pô, nem pra avisarem que tinham essa entrvista na manga...=D.
Pilotaço, jovem e com uma grande abilidadem. se ficar na penske como o helinho ficou sempre brigará pelo titulo. não vai demorar para pegar a mão em ovais.
retificando: Habilidade
O Power é muito melhor que o "Brian Riscou". Ele corre muito nos mistos,mas nos ovais vai ter que aprender mais. Nessa reta final, falta a ele um pouco mais de "manha" pra virar o tempo todo pra esquerda naquele tipo de circuito. Mas ao que tudo indica tem tudo pra ser um dos "botas" da Indy.
Pelas respostas se vê que ele é um daqueles tipos "politicamente corretos" meio vazios que não criam polêmicas para ficar bem com todo mundo. Acho que a única vez que alguma coisa tirou ele do sério foi a manobra do Hélio na última volta da corrida de Edmonton deste ano, que fez com que ele perdesse a vitória e preciosos pontos no campeonato.
Excelente entrevista, parabéns!!
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